Ginástica de trampolim revela talentos e enfrenta desafios em Juiz de Fora
Com estrutura enxuta, mas muita dedicação, atletas da cidade conquistam títulos nacionais e sonham com o cenário internacional
Em uma sala no Colégio Academia, entre colchões, aparelhos de mola e um espaço em adaptação, há o desenvolvimento de talentos que vêm se destacando no cenário nacional da ginástica de trampolim. Sob o comando do técnico Wanderson Zanbelli, os atletas locais acumulam medalhas em competições ao mesmo tempo em que lidam com as dificuldades típicas de uma modalidade ainda em desenvolvimento fora dos grandes centros. Mesmo assim, o sonho – e a possibilidade real – de disputarem uma competição internacional segue vivo.
Além de trabalhar força, equilíbrio, coordenação e noção espacial, a ginástica de trampolim exige concentração, disciplina e coragem, como destaca Zambelli. A atividade é a 14ª apresentada pelo TM Esporte Clube, quadro que mostra os mais diferentes esportes presentes em Juiz de Fora. Antes da ginástica, já foram apresentados o paraquedismo, a esgrima, o rapel, o foot table, a canoagem, o parapente, a bocha, o squash, a escalada indoor, o aikido, o padel, o pickleball e o kickboxing.
Com treinos diários, a ginástica de trampolim do Colégio Academia tem obtido resultados expressivos sob o comando do professor Zambelli – que há mais de 20 anos se dedica ao esporte. “Antes era só eu e meu irmão dando aula na cidade. Hoje já existem outras escolas, clubes e um número bem maior de crianças praticando”, conta o treinador. No entanto, o caminho até a alta performance não é simples. “A pandemia causou uma defasagem grande. Muitos atletas cresceram nesse período e acabaram parando. Estamos trabalhando para preencher esse buraco”, explica.
O cenário competitivo também impõe obstáculos, já que, em outras cidades, as equipes contam com cinco ou mais profissionais acompanhando os atletas em campeonatos. “Se eu não fizer alguma diferença, não consigo resultado. É muito difícil competir com estruturas tão maiores”, afirma.
A ginástica de trampolim inclui três aparelhos: o trampolim individual e sincronizado, o tumbling (pista de solo com elementos encadeados) e o duplo mini-trampolim. Cada um exige capacidades físicas e técnicas específicas, como força, explosão, controle corporal e coragem. “O ginasta precisa ter muito físico, porque usa uma roupa que expõe bastante o corpo e qualquer excesso de peso já atrapalha. Além disso, é um esporte de cabeça para baixo, com saltos e giros, o que exige muito preparo e controle emocional”, detalha Zambelli.
Bicampeã brasileira
Uma dos destaques da equipe do Colégio Academia é Alice Giovannoni, de 15 anos. Moradora do Bairro Olegário Maciel, região central, ela chegou à ginástica de forma inusitada, após ser observada durante uma aula de capoeira. “O Tiago Romão, que também era atleta, me viu e me trouxe para a modalidade. A capoeira eu não gostava muito, mas quando comecei na ginástica, foi amor à primeira vista”, lembra.
Com oito anos de prática, Alice já venceu dois campeonatos brasileiros, ambos no tumbling, sua especialidade. “O que mais me marcou foi o primeiro título, em 2023. No ano anterior, não tinha conseguido completar minhas passadas porque fiquei muito nervosa. Então foi muito gratificante superar esse medo”, conta. O próximo desafio é o Brasileiro de 2025 e, se tudo der certo, a participação no Campeonato Mundial na Espanha, que pode marcar sua estreia internacional. “Nem sei como seria essa experiência, mas só de pensar já fico imaginando o quanto vai ser desafiador”, projeta.
A rotina de treinos é intensa. Alice chega à Academia antes mesmo do horário oficial da aula para ajudar nas turmas menores e fazer seu próprio aquecimento. “A gente começa sempre com as passadas diárias, para manter o nível. Depois vamos tentando elementos novos, porque as exigências dos campeonatos vão aumentando com o tempo”, explica. Inspirada por atletas como Alice Gomes, Camila Gomes e Rebeca Andrade, a adolescente já traça um futuro profissional no esporte. “Por enquanto é algo que eu quero fazer, e espero que no futuro seja uma carreira. Minha meta é competir em um campeonato internacional”, diz.


Ginástica: de recomendação da tia ao pódio nacional
Outro nome que representa Juiz de Fora nas principais competições é João Gabriel, de 18 anos, morador do Bairro São Pedro, na Cidade Alta. Na ginástica desde os 6 anos, ele começou por indicação da tia, após ser notado pela energia de sobra dentro de casa. “Eu pulava o dia inteiro. Minha tia sempre falava que eu tinha futuro na ginástica, porque não aguentava mais me ver pulando pela sala”, lembra.
Com cerca de dez anos de prática, João já tem no currículo o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro e o quinto no Mineiro. As principais conquistas vieram em disputas realizadas em São Paulo e Belo Horizonte. A especialidade dele também é o tumbling. “Gosto porque é mais fácil para mim e eu adoro os movimentos. É bem melhor”, conta.


Atualmente, João enfrenta uma lesão nas costas, que o impede de realizar algumas acrobacias mais complexas. Ainda assim, o foco segue nos treinos e na recuperação. “A galera aqui tem me ajudado muito. Estou em progresso no duplo mortal”, conta.
Para o futuro, o garoto já tem um caminho definido: cursar educação física e seguir na ginástica como técnico. “Ser atleta profissional eu já perdi a vontade. Mas quero ser professor, ajudar outras pessoas a se inspirarem em mim e a manter o corpo e a saúde”, almeja.
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