Obras no complexo esportivo do Colégio Granbery são suspensas temporariamente
Decisão do TJMG impede qualquer construção no local até o julgamento final do processo

As obras no complexo esportivo do Colégio Granbery foram suspensas após decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), proferida ainda no início deste mês, no dia 3 de junho. A liminar suspendeu os efeitos da deliberação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), impedindo qualquer construção no local pela empresa Soip Negócios Imobiliários Ltda até o julgamento final do processo.
A ação solicitando o impedimento da construção de duas torres e um edifício garagem na área foi movida pela Associação dos Moradores do Granbery. De acordo com o advogado Matheus Resende, representante jurídico da associação, a liminar de suspensão, obtida em 2ª instância, é provisória e pode ser revista no curso do processo. “Enquanto estiver valendo, dá a segurança necessária para impedir obras no local, exceto de restauração e preservação”, explica.
Em resposta à decisão, o advogado da Soip, Bruno Rios, compreende a suspensão temporária como uma medida processual natural, com o objetivo de garantir que a empresa seja ouvida nos autos antes de qualquer deliberação definitiva. “Nosso pronunciamento técnico e jurídico será feito nos autos, rigorosamente dentro do prazo legal, demonstrando a plena regularidade do empreendimento.”
A Tribuna de Minas também demandou posicionamento ao Comppac. Em nota, a Prefeitura declarou que “foi notificada da decisão judicial que suspendeu temporariamente os efeitos da deliberação do Comppac, em processo que ainda tramita na primeira instância”.
Divergências sobre o projeto
A Soip Negócios Imobiliários Ltda adquiriu, em leilão judicial realizado em abril, 13 mil metros quadrados do Centro de Educação Física e Esporte (Cefe). Anteriormente, em 2024, a área adquirida foi tombada oficialmente por meio do Decreto Municipal 16.754/2024, após mobilização da comunidade.
Ainda no ano passado, o Comppac aprovou o projeto de construção de duas torres, uma delas com 23 andares, e um edifício garagem na área tombada do Cefe, anteriormente pertencente ao Colégio Metodista Granbery. A proposta acaba com o campo de futebol e com a piscina, como também esconde pelo menos duas fachadas do Edifício Charles Alexander Long. O projeto preserva o bosque e cria uma praça pública, além de três quadras no topo das garagens.
Em agosto de 2025, à época da decisão de aprovação do projeto pelo Comppac, a Funalfa afirmou à Tribuna que havia compatibilidade da proposta com o decreto de tombamento. A preocupação com enchentes e outros problemas de urbanismo também foi apontada por moradores do Granbery, o que, segundo a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), seria analisada em outras instâncias.
No entanto, segundo o advogado Matheus Resende, na visão da Associação, a execução do projeto compromete de forma irreversível a integridade do conjunto tombado, “esvaziando os valores históricos, culturais, ambientais e sociais que justificaram sua proteção pelo Poder Público”. Conforme Resende, além da relevância histórica do espaço, o empreendimento seria instalado em um bairro que não possui praça pública e cuja infraestrutura urbana já se mostra insuficiente para atender à demanda existente.
Já a Soip, por meio do advogado Bruno Rios, afirma que não há qualquer obra irregular em andamento no terreno, no qual as atividades atuais restringem-se ao restauro do edifício Charles Alexander Long, bem tombado em sua integralidade pelo decreto de 2024. Como explica, o trabalho está sendo conduzido por um escritório de arquitetura especializado em patrimônio histórico.
“O tombamento não se pode confundir com desapropriação ou punição e não pode ser encarado como uma sentença de morte de um patrimônio. Longe de ser um espaço restrito, o empreendimento transformará uma área antes privada e inacessível em um motor de convivência, cultura, esporte e lazer para toda a comunidade”, complementa o advogado.









