Fóssil de peixe de 80 milhões de anos é descoberto em rochas de Minas Gerais

Espécie pertence a grupo que atualmente é encontrado apenas na América do Norte, América Central e Caribe; veja fotos


Por Tribuna

17/01/2025 às 09h39

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Mandíbula do novo peixe fóssil de Campina Verde, Britosteus amarildoi, em vista lateral esquerda (acima) e em vista ventral (abaixo). (Foto: Agustín Martinelli) 

Uma nova espécie de peixe fóssil do grupo Lepisosteiformes, com cerca de 80 milhões de anos, foi encontrada em rochas localizadas no sítio paleontológico Fazenda Três Antas, em Campina Verde, no Triângulo Mineiro. A descoberta foi feita por pesquisadores do Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn I. Price”, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Peirópolis. Atualmente, o grupo ao qual a espécie faz parte é visto apenas na América do Norte, América Central e Caribe.

A espécie foi batizada de Britosteus amarildoi e se trata de um peixe de pequeno porte, com menos de 50 centímetros de comprimento, focinho curto e arredondado e mandíbula equipada com minúsculos dentes cônicos, adaptados para a captura de pequenas presas. A descrição foi possível a partir de fósseis que incluíram ossos do crânio, mandíbulas com dentes e escamas. 

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Reconstrução em vida de Britosteus amarildoi (Ilustração: Pedro Henrique Fonseca)

“A descoberta é significativa por ampliar o conhecimento sobre a diversidade dos peixes que habitavam os ambientes continentais no final da Era Mesozoica, quando os dinossauros ainda dominavam o planeta. Atualmente, os Lepisosteiformes contam com apenas sete espécies vivas, mas no passado era muito mais diversa e amplamente distribuída”, explica a comunicação da UFTM. 

Nome do peixe fóssil é uma homenagem 

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Equipe do Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” em campo durante coleta dos fósseis de Britosteus amarildoi. (Foto: arquivo pessoal)

O nome da nova espécie é uma homenagem a dois importantes colaboradores da paleontologia brasileira. O epíteto específico amarildoi faz referência a Amarildo Martins Queiroz, ex-proprietário da Fazenda Três Antas, que colaborou com os pesquisadores e descobriu os primeiros fósseis de crocodilos no local. Já o nome do gênero Britosteus é um reconhecimento ao trabalho do professor Paulo Brito, destacado paleontólogo brasileiro, conhecido por suas contribuições ao estudo da fauna de peixes fósseis de Gondwana. 

Desde 2011, a Fazenda Três Antas tem sido um importante campo de pesquisa paleontológica, resultando em descobertas como os crocodilos pré-históricos Campinasuchus dinizi e Caipirasuchus mineirus.  Agora, Britosteus amarildoi se junta a essa lista de fósseis notáveis.

A equipe responsável pela descoberta é composta por pesquisadores brasileiros e argentinos de diversas instituições, incluindo a UFTM, o Museu Argentino de Ciências Naturais “Bernardino Rivadavia” e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo foi publicado no periódico Journal of South American Earth Sciences

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