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Censo Escolar: Juiz de Fora perdeu 465 professores em dois anos

Estatísticas do Inep mostram que setor privado foi o que mais diminuiu número de vagas para docentes de 2019 para 2021


Por Gabriel Silva e Mariana Floriano (Colaborou)

03/02/2022 às 09h22

Na esteira da diminuição do número de alunos matriculados na educação básica de Juiz de Fora, ao menos 465 professores deixaram de atuar em escolas do município em 2021. O número é do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), publicado na última segunda-feira (31), que apontou que 8.975 alunos a menos foram registrados em instituições de ensino em 2021, em comparação com 2019, um ano antes da pandemia. De acordo com o levantamento, o número de docentes saiu de 6.800, em 2019, para 6.335 em 2021, com impacto impulsionado, sobretudo pelo corte de profissionais na rede privada, que perdeu 29 escolas em dois anos.

A redução de professores já havia sido sentida entre 2019 e 2020, com diminuição de 164 profissionais – naquele ano, 6.636 docentes atuaram no município, conforme o levantamento. No ano passado, entretanto, a queda foi mais agressiva: o corte foi de 301 vagas, com um total de 6.335 professores apontados no mais recente Censo Escolar. No triênio, a queda consolidada foi de 6,83% no número de docentes em escolas juiz-foranas.

A diminuição nas vagas para docentes foi influenciada, principalmente, por uma série de cortes de profissionais nas instituições privadas de ensino, de acordo com o levantamento do Inep. Em 2019 e em 2020, Juiz de Fora tinha 2.264 e 2.194 professores nos estabelecimentos particulares de ensino, respectivamente. No último ano, o número caiu para 1.861, totalizando 403 vagas a menos no triênio, ou 17,8% dos postos de trabalho.

O setor privado de ensino também foi o mais afetado ao longo dos dois últimos anos, com a queda do número matrículas e o fechamento de estabelecimentos na cidade, conforme o Censo Escolar. O levantamento do Inep apontou que a rede privada juiz-forana teve menos 25% matrículas de 2019 para 2021, além do fechamento de 29 estabelecimentos de ensino.

Em 2019, 32.397 pessoas efetivaram matrícula na rede particular de ensino, número que teve leve recuo em 2020, com 31.162 matrículas, mas que teve drástica redução em 2021, quando apenas 24.175 estudantes foram registrados nas instituições. Já quanto ao número de instituições privadas, o número reduziu de 194 estabelecimentos para 165, no último triênio. O recuo foi de 14,94% no total de estabelecimentos privados de ensino na cidade.

‘Os trabalhadores foram os grandes prejudicados’, diz Sinpro

À Tribuna, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino da Região Sudeste (Sinepe/Sudeste) revelou que o segmento da educação infantil foi um dos mais comprometidos, em razão dos quase dois anos de inatividade por conta da pandemia de Covid-19. No entanto, o órgão informou não possuir dados consolidados sobre as perdas de postos de trabalho. Conforme apontou a presidente do Sinepe/Sudeste, Anna Gilda Dianin, as expectativas de recuperação serão apenas a médio e longo prazo.

Para o Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF), a queda no número de docentes no município é um retrato do efeito da pandemia para os profissionais. “Os trabalhadores foram os grandes prejudicados pela pandemia”, resumiu a presidente do sindicato, Maria Lúcia Lacerda. “Demissões, reduções de salários, intensificação do trabalho, desrespeito, descaso. Antes mesmo da pandemia, os trabalhadores já vinham sofrendo ataques sistemáticos graves. É importante lembrar disso”.

A líder sindical ainda acusa a reforma trabalhista, sancionada em 2017, como um exemplo da perda de direitos e da vulnerabilidade dos profissionais para possíveis demissões. “Nós orientamos que todos os professores procurem imediatamente o sindicato em caso de demissão. Há um corpo jurídico à disposição dos trabalhadores para que todos os direitos sejam assegurados”, orienta Maria Lúcia.

Quase 9 mil matrículas a menos em JF

Em reportagem publicada nesta terça-feira (2), a Tribuna revelou que foram registradas 8.975 matrículas a menos na educação básica entre 2019 e 2021 na cidade. No total, 100.097 alunos efetuaram matrícula em escolas juiz-foranas no último ano, enquanto, em 2019, foram 109.072, consolidando queda de 8,22% de lá pra cá. A educação infantil foi a que teve maior redução, com 5.610 alunos a menos no comparativo do último triênio, um total de 28,5%.

O cenário local é reflexo do que foi observado a nível nacional pelo Censo Escolar de 2021. Em todas as etapas da educação, o Brasil teve 46,7 milhões de matrículas no último ano, queda de mais de 620 mil estudantes registrados em relação ao ano anterior. A nível nacional, o levantamento apontou diminuição de 9% dos alunos matriculados em creches.

Em Minas Gerais, o Inep também apontou queda sensível no número de alunos matriculados. Em 2021, 4.136.120 matrículas foram efetivadas, número que estava em 4.328.917 no ano anterior. Ou seja, queda de 192 mil estudantes, o que representa 4,4%.