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Os pés pelas mãos: o mérito de Tite


Por Renato Salles

22/06/2012 às 07h00

O Brasil anda carente de bons treinadores. Muitos dos considerados tops de linha já não são mais nenhuma brastemp. Mereciam uma geladeira. Luxa e Felipão, por exemplo, há anos vivem de nome. Uma grife muito cara para pouco resultado. Nas últimas temporadas, novidades surgiram. Mano chegou ao comando da Seleção, onde se mantém claudicante. Muricy tornou-se o mais vencedor do país. Fecharia a mesa dos melhores por aqui, sem o tal Joel, all right?

Mas, de 2011 para cá, um novo nome surgiu como forte postulante ao seleto grupo dos grandes professores. No turbilhão chamado Corinthians, o gaúcho Tite sobreviveu a uma vexatória e improvável eliminação na Pré-Libertadores. Venceu as desconfianças e a fama de retranqueiro. Deu a volta por cima. Foi campeão brasileiro com um time que, apesar de resguardar todos os méritos a seu sistema defensivo e de dar a cara à tapa como um Rocky Balboa suicida, joga um futebol de qualidade.

Tite não parou por aí. Conteve a euforia do título nacional e fez de seu grupo ainda mais guerreiro, participativo e competitivo em 2012. Soube contornar problemas como o desinteresse de Adriano, as falhas de Júlio César, a má fase de Liedson e a ausência de referências ofensivas sem perder o comando em nenhuma ocasião. Lembrou ao país das pedaladas que o futebol é um esporte coletivo e conduziu o Timão a sua primeira, obsessiva, merecida e sonhada final de Libertadores. Deixou para trás boas equipes como o Vasco, de Juninho Pernambucano, e o Santos, de Neymar. Tudo isso sem um grande nome. Sem estrelas, montou o melhor conjunto do país. Uma equipe com a sua cara.

Apesar disso tudo, o grande mérito do Tite foi ter deixado o velho Tite sisudo de outros tempos para trás. Largou mão do politicamente correto. Da educabilidade. Para chegar à vitória e ao reconhecimento como um dos melhores técnicos em atividade no Brasil, Tite xingou, falou muito, virou torcedor de arquibancada. Enfim, ele enlouqueceu. Adaptou-se ao bando.