Os pés pelas mãos: Os favoritos e o amarelo-ouro
Os favoritos e o amarelo-ouro
Não existe definição para a expressão "amarelar" no Aurélio, mas no esporte, "amarelão" é aquele que não vence quando é o favorito para determinado jogo. No dicionário, "favorito" é o "provável vencedor". Na última semana, assistimos a algumas derrotas de brasileiros assim considerados nas Olimpíadas. As meninas do vôlei, atuais campeãs olímpicas, perderam por 3 a 0 para a Coreia do Sul, 15ª colocada no ranking. César Cielo, bronze em Pequim e recordista dos 100m livre em piscina olímpica, ficou em sexto lugar. A Seleção de futebol feminino perdeu por 1 a 0 para a Grã-Bretanha. Diego Hypolito caiu. No judô, Thiago Camilo ficou sem medalha. Ontem, o basquete masculino brasileiro perdeu com uma cesta nos últimos segundos para a Rússia. Até o time de Bernardinho foi batido. Exemplos de derrotas brasileiras, às vezes nos últimos instantes, não faltam em Londres. Aí, cabe a pergunta: o brasileiro "amarela" na decisão?
Não vejo dessa forma. Não temos, de forma geral, uma política nacional de incentivo aos esportes olímpicos. Isso é notório há anos e, nesse momento em que o Brasil cresce no cenário internacional (a sexta economia do mundo), e já que estamos às vésperas de sediar os próximos Jogos, não visualizo momento mais adequado para essa transformação no esporte nacional. Acredito que as "amareladas" podem ser vistas da seguinte maneira: alguns atletas não estão acostumados a serem os melhores e, muitas vezes, quando alcançam esse status, sentem a pressão de uma nação apaixonada e que suplica por grandes resultados esportivos. E isso começa na formação do atleta. O menino que joga basquete, por exemplo, muitas vezes não tem a chance de disputar campeonatos em alto nível. Ele não é testado e, apesar do talento individual, sente a pressão e erra.
O discurso é bonito, mas você deve estar pensando: qual é a relação que eu, torcedor, tenho se o cara não acertou a cesta? Na teoria, nada. Mas você tem uma chance de ajudar a bola a entrar. Em tempos de eleições, a escolha dos seus "favoritos" pode fazer diferença para transformar o amarelo em dourado nos próximos ciclos olímpicos.









