Ouça agora

Papo de gandula


Por ISABEL PEQUENO

07/08/2012 às 07h00

O esporte emociona

Sou do tipo que não entende porque ficar parado em frente à TV assistindo a um monte de carros barulhentos rodarem na pista por não sei quantas vezes – ou à bola rolar pra cá e pra lá. Nunca me envolvi com esporte quando criança. Mas como o esporte já me emocionou com o passar dos anos!

Frio na barriga: entrei na Tribuna para substituir Ivan Elias e Márcio Guerra, dois grandes nomes do jornalismo esportivo local. Minha primeira experiência, ainda fazendo teste, foi cobrir o treino do Tupi e conversar com os jogadores. Perguntar o quê a eles? Não sabia. E eles também não faziam ideia do que falar… Nossa! Quanta emoção. Muita emoção.

Desafio: não podia fazer feio. Estava em jogo o meu sonho de trabalhar em um jornal. Venci. Passei um mês na editoria de esporte e não saí mais da empresa.

Alegria: e outras emoções vieram depois que nasceram meus três pequenos botafoguenses. Abandonei a vontade de voltar a brincar de casinha para ser a goleira do time ou a atacante Grega (ganhei o apelido por jogar futebol de vestido e sandália de tirinha). A bola rola em casa, na quadra do clube, na grama, na terra… Onde for e com o que tivermos em mão – ou melhor, no pé: bola de papel, tampa de garrafa, copo de plástico, lata de refrigerante…

Dor: já torci o joelho em campo. Fiquei longe das quadras, mas não perco as aulas da escolinha de futebol. E dói ver o time do seu filho perder.

Festa: deixo de assistir a peças de teatro infantil para ver o Brasileirão – em casa e, melhor ainda, quando é no estádio. Como pipoca, vibro, torço (nessa ordem). Faço festas de aniversário de futebol, saio para comprar uniformes de futebol, chuteiras, meiões.

De volta ao ataque: me encontro novamente na editoria de esporte, nos dois últimos plantões de sábado, ajudando a fechar o caderno com as Olimpíadas. Mais trabalho, mais emoção.

O esporte emociona sim. Mais que isso, ensina a encarar desafios e superá-los, mostra caminhos, ensina a tomar decisões, a lidar com vitórias e derrotas, ensina disciplina, valores, prepara uma criança para a vida. Merecia ser levado mais a sério no Brasil.

Esse jogo não é brincadeira.