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Nada no balaio: gente do interior


Por Ricardo Miranda

16/06/2012 às 07h00

Os mais incautos ainda insistem em chamar as cidades menores e mais distantes dos shoppings de roça ou província. Na condição de genuíno roceiro ou provinciano, prefiro o rótulo de gente do interior. Isso dá um quê de profundidade, de introspecção. Em se tratando do interiorano mineiro, soma-se também a desconfiança e a argúcia. Para quem foi parido dessa mistura, empenhar a palavra é sempre custoso. Mas, uma vez empenhada, é compromisso cumprido.

Aqui na cidade, talvez até pelos shoppings, ninguém empenha mais a palavra. Nem palavra tem mais. Não se conversa sobre nada. Nunca tivemos tantos canais de comunicação como nos dias atuais, justamente quando menos dialogamos. Do medicamento imprescindível ao tratamento à convenção partidária, passando pelo reconhecimento de paternidade e, principalmente, pelas relações trabalhistas, tudo se resolve na Justiça. Os estudiosos falam até em judicialização da vida.

O mais recente capítulo desse triste processo envolve o futebol brasileiro. Os juiz-foranos estão, há três semanas, à espera da estreia do Tupi na Série C do Campeonato Brasileiro. No ano do centenário carijó, a decepção veio por decisão judicial. Um imbróglio envolvendo times com disposição de vencer fora de campo emperrou a competição. Na conversa agendada para tentar uma solução, um dos interessados não quis conversar. Gozou do seu direito de não dialogar.

Fosse lá no interior, bastariam dois dedos de prosa e tudo estaria resolvido. Até porque a matutice ensina que a Justiça tarda, mas tarda muito. Por essas e outras, recorrer à Justiça, pelo menos para os interioranos, é cada vez mais sinônimo de embromação. Se é para não resolver, vamos judicializar o futebol, a política, a vida.