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Na orelha da bola – Há lugar como BH?


Por Wendell Guiducci

07/06/2012 às 07h00

– Patrão, é verdade que o hômi tá vindo aí?

– Diz que tá.

– Então… será que vai dar certo aqui?

– Claro que vai. O cara é do ramo, pô. Que pergunta… Você acha que eu sou doido de fechar a porta pra ele? Que nem o outro lá… posso ser meio doido, mas doido inteiro não.

– Mas aqui… lá no Rio deu treta, né? Quer dizer, é muita gente na aba, ouvi falar que de vez em quando o trem ficava descontrolado…

– Que mané treta o quê, o cara é profissional, meu filho! E tem mais, se der também não tem erro, só a presença dele já vale ouro pra gente. Isso chama "reforço de imagem institucional", já ouviu falar?

– Ouvi não senhor.

– Claro que não, uma besta da sua envergadura… Reforço de imagem é quando a gente faz um negócio que pega bem pra nós, que faz a gente aparecer bonito na foto pros outros, entendeu? Vê se faz uma faculdade, rapaz, conhecimento não ocupa espaço.

– Mas é que com o salário que a gente recebe aqui…

– Não muda de assunto!

– Desculpa. Mas aqui… isso vai ficar cheinho de curioso, de repórter… como é que faz?

– A gente blinda ele.

– Heim?!

– Blinda! Blinda! Nossa senhora, mas eu tenho que explicar tudo pra essa cambada… A gente reserva uma área pra ele, entendeu, protege ele! Um cara desse você tem que deixar à vontade, se aperta ele escapole.

– Ah, entendi… mas tem o negócio da mulherada também, né?

– E o quê que tem? Você não gosta de mulher não?

– Ocê tá bobo!, eu gosto é demais da conta, sô!

– Então?!

– Eu quero saber é como é que faz… A gente dá senha, organiza fila…?

– Senha, fila… EU SEI LÁ, PÔ!!! Quando ele chegar aí a gente vê como é que vai ser…! Agora some pra lá, vai limpar a fachada, ver se os freezers tão carregados, limpar os banheiros, espanar o tapete do palco… qualquer coisa, porque hoje tem pagode e o homem vai descobrir por que não há lugar melhor que Beagá. Ô se vai!