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Nada no balaio: Chatice


Por Ricardo Miranda

21/07/2012 às 07h00

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ou tem. Nos tempos das vacas magras, quando não se podia reclamar de quase nada e se exportava menos jogadores, o Brasil tinha no futebol seu principal cartão de visita. O desafio mundial era jogar como os brasileiros. Fomos copiados mundo afora, em alguns casos, com alguma perfeição. Foi por essa época que nos tornamos campeões, bicampeões, tricampeões…

Era permitido até não dar muita bola para a Libertadores da América. Nossa estrela solitária na constelação de celebridades das mais diversas áreas de todo o mundo era Pelé. Ao desembarcar por aqui, o gringo mediano era apresentado ao Maracanã, ao Mineirão, ao Pacaembu. Sem nenhum exagero, era a pátria de chuteiras.

E o tempo passou. O Brasil ganhou a capa da edição mundial do The Wall Street Journal como o país onde o futuro havia chegado. O ex-presidente Lula, o cara, na definição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi alçado a estrela de primeira grandeza. O Brasil saiu de devedor para financiador do Fundo Monetário Internacional (FMI). Exportamos minério, soja, laranja. As crises internacionais chegam aqui como marolinhas.

Já não somos mais uma pátria de chuteiras. Pior, passamos a importar jogadores e o jeito de jogar. Tite, Cuca e Abel nos empurram goela abaixo o formato dos times europeus, com equipes compactas, com duas linhas de quatro, sem deixar muitos espaços entre elas. Meias e atacantes usam os lados para marcar ao lado dos volantes. Uma chatice sem fim. Pelo menos, não convivemos com uma insistente crise, como os europeus. Mas é duro de assistir.