Os pés pelas mãos: Romarinho, o ungido
Lembro de uma velha discussão entre os amigos e jornalistas Chico Brinati e Geraldo Muanis sobre como tratar o atacante Adriano, ainda em dia com as atividades do futebol, quando vestia a camisa rubro-negra em 2009. Enquanto um recorria ao apelido Imperador, criado pelos galvões buenos da imprensa europeia para se referir ao jogador, o outro preferiu tratá-lo como o ungido. O assunto rendeu boas risadas nos cafés da vida. Mesmo que os dois tivessem razão, nenhum deles dava o braço a torcer, em belo exemplo de adorável rabugice. Trouxe o assunto à baila para falar de um tal de Romarinho. Pois é, o atacante do Corinthians que ainda não se fez merecedor de nenhum apelido pomposo como os fenômenos e imperadores da bola, mas, hoje é digno da pecha o ungido.
Não sei dizer o que transforma um simples jogador em um personagem mítico. Neymar alcançou esse patamar com suas pedaladas, seus dribles improváveis e um corte de cabelo de péssimo gosto. Mas essa não é a receita de sucesso, visto que há um moicano estiloso a cada esquina. O que sei é que, além de nome de craque, Romarinho tem estrela. Em quatro dias, fez três golaços e abandonou o ostracismo do banco de reservas do Timão para ocupar as manchetes do noticiário esportivo. Parece mesmo ter livre acesso entre as divindades após calar o Boca e a boca do deus pagão dos argentinos. Se Romário quis calar Pelé, Romarinho calou Maradona.
O improvável Romarinho é mais uma das caras desse improvável Corinthians. Poucos acreditavam que menos de cinco anos após visitar o inferno no rebaixamento em 2007, os paulistas estivessem tão próximos de exorcizar seus demônios e conquistar a obsessiva Libertadores. Não há nada ganho para o Timão. Mas, no que depender da estrela do iluminado Romarinho, o sonho parece mais palpável. A possível lesão de Jorge Henrique aparenta ser mais um daqueles sinais dos deuses do futebol de que pode estar surgindo um novo Basílio ou um novo









