Ouça agora

Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

07/09/2012 às 07h00

Nada além de uma peça

Com a merecida folga do amigo Wallace Mattos, tive a primeira oportunidade de acompanhar um treino do Tupi comandado pelo recém-chegado Antônio Carlos Roy. O cara parece boa praça. Daqueles que não têm papas na língua na hora de cobrar os jogadores durante o treinamento. Não pode errar! Aqui não pode errar! O grito foi um eco repetitivo durante o coletivo de ontem. A verdade é que, com menos de uma semana de trabalho, nenhum técnico pode ir além disso, tentar ser um motivador, como um famoso papai, sua prancheta e seu inglês improvável. Entendendo isso, o treinador foi uma boa escolha para dar novo ânimo ao Tupi. Sua linguagem de boleiro pode chacoalhar o grupo de jogadores.

Dentro de campo, neste momento, o torcedor não deve esperar grandes mudanças. Roy manteve a linha seguida pelo interino Felipe Surian, o menos culpado pelo Carijó estar nesta situação delicada. Apesar dos resultados não terem sido os almejados, sob seu comando, a equipe apresentou evolução. O problema é que um dos artífices dessa melhora, o meia Hugo, é desfalque. Seu reserva imediato, Michel Cury, também está fora. Na única decisão que poderia ser somente sua, o novo comandante repetiu a fórmula utilizada por outros treinadores. Na falta de armadores, optou por recuar Allan para o meio-campo.

É o que digo, os técnicos brasileiros se repetem. De Tite, campeão da América, até Mano Menezes ou novo treinador do Tupi. As escolhas são sempre previsíveis. Não concordo com os colegas de imprensa que classificam os professores como únicos responsáveis por sucessos e, principalmente, fracassos. Eles são apenas mais uma peça na viciada estrutura dos clubes brasileiros.