Na orelha da bola: com todos os méritos
Sobre ontem:
O Corinthians jogou mais bola ontem do que jogou a Libertadores inteira. Que jogou o ano inteiro. Que jogou a vida inteira. Tocou a bola, correu muito, marcou sob pressão, não deixou o Boca jogar e não tremeu sob o peso de sua história centenária, tampouco sob a esperança sufocante de sua imensa e apaixonada torcida. Campeão invicto da Libertadores com todos os méritos. E ontem teve em Emerson sua grande figura. Incansável, iluminado, implacável, impiedoso. Bobo como sempre, com o jogo ganho quase fez com que a festa descambasse para a violência com suas costumeiras provocações, o que costuma fazer quando seu time está vencendo, seja com que camisa for, seja contra que camisa for. Mais decisivo do que nunca, fez os dois gols da vitória de um grupo de jogadores comprometidos, trabalhadores e, sobretudo, humildes. Como seu técnico, Tite, artífice deste comportamento. Mas não como sua torcida, que hoje certamente não tem motivo algum para ser comedida. A festa é toda dela.
Sobre o sábado passado:
Que coisa horrível a estreia do Tupi no Campeonato Brasileiro da Série C. Depois da ótima campanha no Campeonato Mineiro e daquela bonita vitória de 2 a 0 sobre o Fluminense nas Laranjeiras, todo mundo esperava coisa melhor do Carijó. Dava angústia ver o Silvio, zagueiro, sair de dentro da grande área e carregar a bola até o meio de campo para tentar armar o time. Ninguém se apresentava, ninguém corria, ninguém se arriscava. No próximo sábado tem pedreira em Macaé, mas pelo menos uma atitude melhor este time tem de mostrar. Este é o ano da afirmação do Tupi. É preciso mais vontade. Uma atuação como a da estreia afasta a torcida do Estádio. E convenhamos, ela não é exatamente grande para ser maltratada como foi.
Sobre o sábado que vem:
"Não, não vou assistir ao UFC." Perdi a conta de quantas vezes respondi essa frase a perguntas relacionadas à briga marcada para o próximo sábado. Não acho que possa ser chamada de esporte uma rinha em que um cara fica jurando o outro de morte, dizendo que vai matar, estraçalhar, trucidar e mais um monte de bravatas que funcionariam muito bem em um filme sobre vikings e bárbaros – que me desculpem os vikings e os bárbaros pela comparação. Esse negócio de jurar de morte é coisa de gangsta, de cangaceiro, de criminoso e não de atleta. E lugar de criminoso é na cadeia, não no ringue.









