Câmara propõe treinamento para conscientização de motoristas de ônibus
‘Sentindo na pele’ planeja colocar profissionais do volante no lugar de ciclistas, idosos e grupos vulneráveis

“Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você.” O conselho básico passado por gerações permeia uma iniciativa do vereador Sargento Mello Casal (PTB) para tentar conscientizar os motoristas de coletivos urbanos sobre grupos expostos à vulnerabilidades no trânsito. O parlamentar sugeriu à Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra), na última segunda-feira (24), a instituição do programa “Sentindo na pele”, o qual colocaria os condutores no lugar de ciclistas, idosos e pessoas com deficiência em simulações de situações corriqueiras das ruas juiz-foranas.
Inspirada em treinamentos adotados por empresas de São Paulo, Fortaleza e Bahia, a campanha proposta pelo Sargento Mello planeja promover a empatia através da vivência em uma posição diferente da que os motoristas de coletivos urbanos estão diariamente. A aproximação com as realidades diversas se daria por meio de simulações para mostrar como é, por exemplo, quando o ônibus não respeita o espaço dos ciclistas pelas vias públicas. Relator da CPI dos Ônibus, o vereador recebeu reclamações de atitudes prejudiciais de condutores contra grupos vulneráveis. “Recebemos inclusive reclamações de casos em que o ônibus chega até o ponto e é verificado que o elevador do veículo não está funcionando. Até foi perguntado: ‘será que eles não sabem que isso está estragado lá na garagem?’ E muitas vezes nem é culpa do motorista. Então nós precisamos aproximar a população desses profissionais”, constata Mello.
Após receber a demanda da população, o vereador encontrou a experiência sensorial sendo realizada em outros estados brasileiros e também verificou que a iniciativa também foi realizada em Juiz de Fora há três anos. De acordo com Mello, o “Sentindo na pele” colaborou com a redução de acidentes em diversas localidades brasileiras. “É importante sentir o outro lado.”
Sargento Mello ainda destacou os diversos problemas que existem no trânsito juiz-forano e falhas nos setores de fiscalização, os quais, segundo ele, serão refletidos após o relatório final da CPI dos ônibus, previsto para ser divulgado na primeira metade de julho. As observações definitivas que serão apontadas pelo relatório poderão causar consequências também na política de conscientização proposta pelo parlamentar.
Para ser colocado em prática, o “Sentindo na pele”, antes, vai ser discutido em reunião dos vereadores na Câmara, possivelmente na próxima semana, com os órgãos que a ação pode envolver, como a Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset) e as comissões e associações dos grupos de pessoas afetadas. Em um primeiro momento, segundo Mello, a iniciativa foi recebida positivamente pela Settra.









