Multidão toma ruas em ato pacífico

Manifestantes cumpriram trajeto programado
Apesar do número de participantes ter triplicado e do clima tenso na manhã desta quinta-feira (20), por conta dos atos de vândalos que ocorreram durante a madrugada de quarta-feira na região central, a manifestação, que começou por volta de 16h e terminou às 22h, transcorreu sem nenhuma ocorrência policial. Contrastando com as pichações que sugeriam "Mais ódio" e que "Pacifismo não basta", as 15 mil pessoas que participaram da passeata seguiram durante todo o trajeto sem entrar em atrito com os policiais e nem sinalizaram qualquer reação violenta. Segundo a Polícia Militar (PM), cerca de 230 homens foram deslocados para as ruas centrais e trabalharam acompanhando os manifestantes e balizando o trânsito.
Diferentemente do observado na primeira manifestação, o ato seguiu o trajeto previsto pela organização, saindo da Praça Jarbas de Lery, no Bairro São Mateus, seguindo pela Avenida Itamar Franco, acessando a Avenida Rio Branco, depois a Getúlio Vargas, retornando à Itamar Franco, até terminar em frente ao Parque Halfeld. Como não houve mudança, os transtornos para a população foram minimizados, uma vez que a PM e a Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra) já haviam traçado rotas alternativas e organizado o percurso para os coletivos. Os pontos de ônibus nas avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas ficaram vazios.
No percurso, a reação de moradores e da população que não acompanhou a passeata foi proporcional ao aumento do número de manifestantes: nos prédios, as pessoas aplaudiam, piscavam luzes, penduravam panos, bandeiras, cartazes de apoio ao movimento e saudavam a massa com chuva de papel picado e fogos de artifício. Nas ruas, o grupo respondia com palmas e gritos de ordem, convidando os que estavam de fora para participar do movimento.
Da praça de São Mateus até a Câmara
Antes mesmo do horário marcado para a concentração, às 16h, já era intensa a movimentação na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, onde os participantes faziam cartazes e pinturas de rosto. Alguns se apresentaram de rosto tampado, mesmo com os constantes apelos feitos nas redes sociais. A predominância era das máscaras de Guy Fawkes, usada no filme "V de Vingança" e popularizada pela comunidade descentralizada na internet pelo Anonymous. Jovens, adultos, crianças e idosos também foram às ruas junto com os jovens. Antigos militantes da esquerda juiz-forana também estiveram presentes. "Participamos da ‘Marcha dos cem mil’, em 1968, e não podíamos deixar de estar aqui", contou José Luiz Guedes, 71 anos. "A diferença é que na época não tínhamos internet, hoje a juventude tem um leque maior de opções para se mobilizar’, completou o colega, Jadir Miranda.
Às 18h10, os primeiros manifestantes chegaram ao cruzamento das avenidas Rio Branco com a Presidente Itamar Franco, e rapidamente a multidão ocupou todo o espaço, permanecendo sentada durante alguns minutos. O trânsito foi controlado pela PM e totalmente interditado pelos agentes de trânsito, que desviaram o percurso dos veículos para a Avenida Getúlio Vargas. Por volta das 18h30, a linha de frente do grupo chegava à Catedral Metropolitana, enquanto o fim da multidão permanecia no cruzamento das avenidas Itamar Franco com a Rio Branco. As três pistas estavam tomadas, quando uma ambulância precisou passar pelo local. Os próprios manifestantes se mobilizaram para criar um corredor, e, em cerca de três minutos, o veículo conseguiu seguiu seu trajeto. Por volta das 19h30, o grupo chegou à Getúlio Vargas, onde parou em alguns pontos. Em uma hora, às 20h30, acessou a Itamar Franco, seguindo novamente até a Rio Branco.
No retorno à Rio Branco, subindo pela Itamar Franco, os manifestantes deram as mãos e formaram um círculo em torno do cruzamento das avenidas. Na sequência, seguiram pela Rio Branco entoando o Hino Nacional, que foi se alternando com outros cantos de protestos. Quando o grupo ia se aproximando da Rua Halfeld, por volta das 21h50, os participantes começaram a pendurar seus cartazes nos gradis que dividem as pistas na Rio Branco. Depois de se sentarem novamente no cruzamento, os organizadores agradeceram a participação de todos e seguiram para a entrada da Câmara Municipal, onde encerraram o protesto às 22h. Rhayra Ferreira Gatte, uma das organizadoras do movimento desta quinta, comemorou a tranquilidade das ruas. "Foi totalmente pacífico, e em nenhum momento entramos em confronto com a PM." Quinze minutos após o término do protesto, o trânsito na Avenida Rio Branco foi liberado, e os demais manifestantes se dispersaram.










