Propostas para represa em avaliação
A novela envolvendo a venda da Represa de São Pedro ganhou novos capítulos, e o futuro do manancial só deve ser decidido na próxima semana. Integrante da massa falida da Companhia Têxtil Ferreira Guimarães, a represa faz parte dos itens que estão sendo leiloados pela 2ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro, onde corre o processo de alienação judicial. As propostas pelos bens foram recebidas até a última segunda-feira e, ontem, foram abertos os envelopes com as ofertas. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), foram apresentadas nove proposições para a compra das áreas onde funcionava a fábrica e a represa. Elas serão analisadas pelos interessados e pelo Ministério Público (do Rio de Janeiro) em um prazo de cinco dias, diz a nota.
As informações vão de encontro às expectativas de pessoas ligadas à PJF e à política local, como o deputado Lafayette Andrada (PSDB), que acreditavam que, pelo fato de a represa integrar uma área de preservação permanente (APP), não surgiriam interessados na aquisição do local. O tucano chegou a articular, junto ao Governo de Minas Gerais, uma tentativa de incorporar a área ao patrimônio estadual como forma de compensação às dívidas tributárias da extinta empresa, mas a estratégia esbarrou em impedimentos jurídicos. Quando a Advocacia Geral do Estado (AGE) se aprofundou, percebeu que se tratava de processo de falência. Nesses casos, a destinação dos valores arrecadados com o leilão seguem uma ordem que não pode ser alterada, explicou Lafayette.
Na Câmara, os vereadores Antônio Aguiar (PMDB) e José Márcio (PV), que, nas últimas semanas, demonstraram preocupações com a iminente alienação, lamentaram que as vias políticas não tenham sido suficientes para evitar que a represa fosse a leilão. Para o diretor-presidente da Cesama, André Borges de Souza, o momento é de aguardar a finalização do processo para que seja feita uma análise judicial sobre a utilização do manancial, que responde por 8% do abastecimento juiz-forano, pelo município.
Situação de represas é lembrada em debate
A Câmara Municipal de Juiz de Fora recebeu ontem o secretário de Meio Ambiente, Luís Cláudio Santos Pinto, para audiência pública, cujo objetivo foi explicar o planejamento e as ações da pasta na atual gestão. Durante o debate, foi discutida a gestão dos recursos hídricos de Juiz de Fora e região. O secretário afirmou ser preciso integrar ações de diferentes municípios para preservar mananciais, como as represas de São Pedro, João Penido e Chapéu D’Uvas. A necessidade de integração regional também pode ser aplicada ao Rio Paraibuna. Não é possível manter um projeto de despoluição do rio se, num município vizinho, um córrego afluente está poluído.
Durante a audiência, convidados criticaram a atuação da secretaria, afirmando que faltam avaliações técnicas capazes de estabelecer um planejamento de longo prazo para o meio ambiente e a qualidade de vida na cidade. Luís Cláudio ponderou que um dos problemas enfrentados pelo órgão é a falta de técnicos e engenheiros.
O titular da pasta citou ações educativas sobre meio ambiente e sustentabilidade realizadas pela PJF em parceria com escolas públicas e privadas, além de ter reforçado a necessidade de investimentos na restauração do Parque da Lajinha.









