Aécio ainda não descartou Lacerda
Mesmo fiel ao propósito de descartar qualquer possibilidade de candidatura em 2014, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), segue na lista do senador e pré-candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), como concorrente ao Governo de Minas. Na avaliação de parte da cúpula do tucanato mineiro, o socialista é a melhor aposta para emparelhar na capital com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, único nome do PT para a disputa pelo Palácio Tiradentes. Na avaliação do mesmo grupo, nomes como o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) ou do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Diniz Pinheiro (PSDB), sairiam da capital em desvantagem, dependendo da força governista no interior para vencer, hipótese considerada arriscada.
Além da aparente resistência de Lacerda, a estratégia da parcela do PSDB entusiasta da idéia de contar com o prefeito como candidato ao Governo de Minas esbarra na questão partidária. Isso porque o governador de Pernambuco, Eduardo Campo (PSB), deve entrar também no páreo pelo Palácio do Planalto, o que, no mínimo, causaria constrangimento em qualquer movimento da candidatura do PSB em Minas em direção ao também presidenciável Aécio Neves. Uma saída aventada na capital mineira nos últimos dias aponta para a desfiliação de Lacerda, que poderia migrar tanto para o PSDB quanto para a recém-criada Mobilização Democrática (MD), que nasce da fusão do PMN com o PPS. No último caso, a mudança seria favorecida pela janela de transferência aberta e função de fusões ou criação de novos partidos.
Uma possível ida de Lacerda para a MD não teria impacto apenas em Minas, mas também na articulação das alianças de Aécio para a disputa pela Presidência. Isso porque a nova sigla, atualmente sem representantes de peso no cenário nacional, concorreria com chances reais de vitória no estado com o segundo maior colégio eleitoral do país. Por outro lado, o PSDB indicaria um vice e ainda ficaria com a vaga de senador na chapa majoritária. No caso da indicação do segundo nome da chapa, as apostas recaem sobre Pestana e Diniz, que podem também disputar uma cadeira no Senado. Nesse sentido, o candidato natural de Aécio ao Congresso é o governador Antonio Anastasia (PSDB), que ainda não definiu se vai ou não se desincompatibilizar.
O principal adversário de todos os cenários tem sido o tempo. Com o processo sucessório de 2014 antecipado e o período de mudanças partidárias vencendo em outubro, os possíveis candidatos no próximo ano serão forçados a definir antes mesmo do início do calendário eleitoral. No PSDB, a última informação da cúpula partidária é de que as candidaturas serão definidas ainda neste ano. Apenas o nome do concorrente ao Senado deve ficar para abril de 2014, quando Anastasia deverá optar pela sua desincompatibilização ou não. Antes, em novembro, os tucanos esperam saber quem será o candidato ao Governo de Minas e como e com quem Aécio vai para a disputa pelo Palácio do Planalto.









