Traços da cultura negra
A mostra Endireita mundo, do artista plástico Filipe Matias, pode ser vista no saguão da Reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), de segunda a sexta, das 7h às 23h, sábados, das 8h às 14h. Fazem parte da exposição pinturas e fotografias que retratam costumes, crenças e o dia a dia das comunidades quilombolas da Zona da Mata. ‘Endireita mundo’ é o nome de uma planta. Nas comunidades em que ela pode ser encontrada, os nativos dizem que, ao tomar um banho ou um chá da planta, vai ‘endireitar o mundo’. Achei a idéia poética e inspiradora, explica o artista plástico Filipe Matias. Entre as obras expostas, Matias aponta Tio Pai Tudo, que retrata um benzedor, e Nossa Senhora Aparecida, que traz a santa negra, como é conhecida na cultura dos quilombolas. O Pai Tudo é uma espécie de curandeiro, o Super-Homem dos quilombos, destaca o autor, realçando o lado místico das comunidades.
Filipe Matias é aluno do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFJF. Em 2009, expôs seu trabalho, com o tema Saudade, na Universidade de Stanford (EUA), e, no ano passado, na Bienal de Arquitetura, realizada no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, em Juiz de Fora. A exposição faz parte do evento Kizomba Namata – 1º Encontro de Comunidades Quilombolas da Zona da Mata de Minas Gerais, que acontece de 26 a 28 de outubro, no Instituto de Ciências Humanas (ICH), no campus da UFJF. O evento, organizado pelo professor de geografia da UFJF, Leonardo Carneiro, contará com a presença de 13 grupos quilombolas. Minas Gerais possui 400 desses grupos, distribuídos em 155 municípios.
Amanhã também será exibido o documentário Endireita mundo – a marcha aos quilombos, produzido pela aluna da Faculdade de Farmácia, Bárbara Dias, e o Laboratório de Etnobotânica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF. Atualmente, existem cerca de duas mil comunidades quilombolas no país, lutando pelo direito de propriedade de suas terras, garantido pela Constituição Federal de 1988.
ENDIREITA MUNDO
Exposição de Filipe Matias
De segunda a sexta, das 7h às 23h, sábados, das 8h às 14h, na Reitoria da UFJF









