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Música de todos para todos


Por AMANDA FERNANDES

19/07/2012 às 07h00

Com 27 anos de história, o grupo belga Ricercar Consort, fundado pelo também belga Philippe Pierlot, coleciona prêmios. No currículo, estão diversos títulos como o Diapason d’Or e o Choc de la Musique, concedidos na França, e o inglês Editor’s Choice. Com apresentações concorridas em diversos países do mundo, nesta quinta, o Ricercar Consort integra a programação do 23º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, com apresentação a partir das 20h30, na Igreja do Rosário, com entrada gratuita.

Ao contrário de muitos grupos com formação fixa, o Ricercar Consort foge à linha do tradicional e se apresenta sempre com músicos convidados. Formado por Philippe Pierlot (viola da gamba) e François Fernandez (violino barroco), o grupo vai contar, na cidade, com o cravista François Guerrier e o brasileiro Luis Otavio Santos, também no violino barroco. "Como músico, você é sempre convidado para participar de algum outro grupo ou concerto e, nessas oportunidades, vê uma pessoa que realmente é boa. O Philippe, então, convida alguém para tocar conosco. Assim, todo concerto que fazemos é um pouco diferente. É algo desafiador", comenta François Fernandez.

"Juntamos as peças como um quebra-cabeça e vamos para o concerto depois de alguns ensaios. Claro que desta forma há o risco de errar, mas está dando certo assim", conta Fernandez, deixando de lado a busca incessante pela perfeição. "Há cerca de dez anos anos decidi que se é impecável, é bom, mas não necessariamente significativo. É preciso que a música seja significativa. E quando há uma razão, um erro ou outro não estraga nada. Não seguimos uma linha reta. Queremos sempre uma mudança. Pensamos no quadro completo e na diversidade."

A formação do Ricercar Consort, de certa maneira, traduz, em nacionalidades, a proposta do grupo com o concerto que será apresentado na cidade. "A harmonia das nações" traz músicas de compositores como os italianos Biagio Marini, Francesco Turini, Antonio Bertali e Andrea Falconiero, os franceses François Couperin e Marin Marais, do inglês Henry Purcell e do germânico Dietrich Buxtehude. "Dificilmente você encontrará um programa com mais nações reunidas."

O local da apresentação na cidade também é algo significativo para o grupo. Apesar de acostumados a grandes casas de espetáculos, a preferência é estar dentro de uma igreja. O ambiente, segundo Fernandez, permite, para músicos e público, um concerto diferente. "Nesses locais, você coloca o espaço em vibração, e o som nunca sai seco, como às vezes ocorre em teatros."

Mesmo acostumado a concertos para públicos conhecedores de longa data da música clássica e barroca, Fernandez conta que grande parte do prazer de uma apresentação está em, justamente, conquistar quem tem seu primeiro contato com concertos clássicos. "As pessoas da música pop costumam vir para o barroco por meio de "As quatro estações", de Vivaldi. Dela, chegam em Bach, e, finalmente, uma pequena parte se interessa por composições mais complexas com viola da gamba, por exemplo. É um público pequeno, mas fascinante. Dizem que há composições que são difíceis para o público, mas minha experiência mostrou que mesmo pessoas que nunca foram a um concerto clássico podem amá-lo. E, na verdade, o que conta para mim é a força da emoção."

 

Quinta, às 20h30

Igreja do Rosário

(Rua Santos Dumont 215 – Granbery)