Bate-papo com a nova safra das letras
A geração literária contemporânea não assinou qualquer manifesto, tampouco compartilha uma ideia única ou caminha em uma mesma direção. São justamente as divergências as responsáveis por apontar uma característica fundamental no estilo das obras assinadas por autores que despontaram na última década. É uma geração fragmentária, acredita Tatiana Salem Levy. A escritora e doutora em estudos da literatura, do Rio de Janeiro, finalista do prêmio Jabuti e vencedora do prêmio São Paulo de Literatura na categoria de melhor romance de autor estreante, ambos em 2008, com A chave de casa, é a convidada deste sábado do projeto Ave,Palavra, promovido pela Livraria A Terceira Margem. Imagino que esse estilo seja um reflexo do tempo hoje, acelerado. Raramente percebemos algo por inteiro. É como se tudo se passasse em flashes, em fragmentos, sem muito tempo para os detalhes, avalia.
Contemporânea de Tatiana, a poeta Carolina Barreto será a representante da cidade na discussão. Autora de Dois (não) pares, obra assinada em parceria com André de Freitas Sobrinho, também de 2008, e Voragens, de 2012, Carolina é mestre em estudos literários e pesquisadora da produção literária de periferias, tendo recebido uma menção-honrosa no Prêmio Anpoll de Literatura pela dissertação defendida em 2011.
Dois exemplos da chamada novíssima geração – termo da pesquisadora e crítica literária Beatriz Resende -, as autoras trazem em seus textos a marca de uma literatura exigente, que se apoia em uma leitura atenta, além de pressupor uma bagagem cultural, necessária à apreensão de suas referências. Existe um pouco de preconceito com a escrita contemporânea. É claro que ela exige uma reflexão, mas também conta histórias, é feita de emoção. A literatura poderia ter um público maior do que já tem se entendessem que essas obras são para todos, defende Tatiana.
Um dos 20 nomes selecionados pela conceituada revista britânica Granta – lançada no país na última edição da Festa Literária de Paraty (Flip) -, na difícil missão de mapear os melhores jovens escritores brasileiros, Tatiana ganhou a possibilidade de ver sua obra publicada em grandes centros mundiais, como Reino Unido, Estados Unidos e China.
O reconhecimento alcançado de forma meteórica impôs à autora o desafio de dar segmento à produção. Senti um pouco desse peso da primeira para a segunda obra. Só consegui escrevê-la quando abandonei esse medo. Uma obra é construída aos poucos e tem que fazer sentido para mim. Até porque se não fizer, não fará para mais ninguém. As críticas positivas e a aceitação aliviaram essa pressão de provar não ser autora de um livro só, reflete. A segunda e mais recente publicação de Tatiana, Dois rios, finalista dos prêmios Portugal Telecom e São Paulo de Literatura, será autografada na cidade no sábado.
AVE, PALAVRA
Encontro com Tatiana Salem Levy e Carolina Barreto
Hoje, às 15h, na livraria A Terceira Margem
(Galeria Pio X loja 127)
3216-7320









