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Jazz à moda de Minas


Por AMANDA FERNANDES

19/06/2012 às 07h00

A nostalgia e a vontade de ter novamente o charme do vinil fizeram muitos artistas se renderem ao formato do bolachão. Um deles é o músico Dudu Lima, que faz show nesta terça para lançamento do seu projeto Dudu Lima ao vivo no Cine-Theatro Central, composto de CD, DVD e vinil, a partir das 20h30, no Garrafaria Lounge (Rua Moraes e Castro 364 – Alto dos Passos).

Com conteúdos diferenciados, cada formato apresenta ao público a mescla do jazz tradicional americano com a música brasileira, característica do trabalho do baixista. Por conta da capacidade reduzida, o vinil apresenta Suíte Brasil (As rosas não falam, de Cartola, O ronco da cuíca, de João Bosco, e Brasileirinho, de Waldir Azevedo) e a autoral Regina, no lado A, além de Clube da esquina 2 no lado B.

Com oito faixas, o CD traz essas, além de autorais, como Filho amado, e releituras, incluindo Suíte Nordeste (Asa branca, de Luiz Gonzaga, Peixinhos do mar, do folclore brasileiro, e Nilopolitano, de Dominguinhos). No DVD do show, a canção extra Partido alto conta com a participação dos músicos Ivan Conti e Dudu Viana.

No projeto, Dudu (contrabaixo acústico, elétrico e fretless, arranjos e direção musical) se apresentou ao lado de Ricardo Itaborahy (piano, vocais e escaleta ) e Leandro Scio (bateria), parceiros tradicionais do baixista. Contou ainda com a participação especial do músico americano Stanley Jordan, que tocou guitarra na faixa Regina. Tenho uma afinidade musical muito grande com Stanley.

Tribuna – Seu show está sendo lançado em três formatos. Quais as principais diferenças na sonoridade do vinil para o CD?

Dudu Lima – O interessante desse trabalho é que ele foi concebido para os formatos analógico e digital, portanto foram duas masterizações diferentes e específicas. Para o vinil, por ser analógico, a masterização apresenta uma percepção de frequências que às vezes não se usa no digital. O som fica mais aberto, e a presença dos graves é mais interessante e valorizada no vinil, deixando o som com um volume e uma textura diferente do CD.

– O jazz é um estilo que vem crescendo. A que se deve essa popularidade na sua opinião?

– Em 30 anos de carreira, venho trabalhando com vários estilos, mas me dedico ao jazz. Acho que hoje os espaços estão se abrindo mais para a música instrumental. Outro ponto importante é o aumento dos festivais de jazz no Brasil. Tive o prazer de tocar em festivais de cidades do Rio Grande do Sul a Teresina (PE) e Manaus (AM). Vamos trazer em setembro para Juiz de Fora um festival que terá a participação de João Bosco.

– Na sua música, você mistura clássicos do jazz à música brasileira. O que faz os dois estilos combinarem?

– Nos anos 1980 e 90, o jazz se tornou uma música na qual se adicionou várias outras correntes. As pessoas usam a liberdade do jazz e adicionam sua cultura às bases tradicionais.

– Com relação à gravação do DVD no Cine-Theatro Central, o que ela teve de mais especial?

– Tenho um carinho muito grande pelo teatro e por Juiz de Fora. Minhas inspirações estão associadas à cidade, pois minha vida afetiva e familiar está aqui. Continuo morando em Juiz de Fora mesmo rodando o mundo. O Central, além de ser um local muito bonito e palco de grandes espetáculos, proporcionou uma acústica perfeita para a gravação. Foi um sonho realizado.

DUDU LIMA

Hoje, às 20h30

Garrafaria Lounge

(Rua Moraes e Castro 364 – Alto dos Passos)

3241-1669