25 anos de cabelo e atitude rock TRIBUTO AO GUNS N ROSES
Há exatamente 25 anos, no dia 21 de julho de 1987, aportava nas lojas americanas o álbum inaugural de um grupo também estreante. Appetite for destruction, da banda californiana Guns N’ Roses, chegou relativamente despercebido, mesmo lançado pela Geffen Records, uma das mais significativas da indústria fonográfica no período. Mas rapidamente o cenário mudou para o quinteto formado por Axl Rose (vocal), Slash (guitarra), Izzy Stradlin (guitarra), Duff McKagan (baixo) e Steven Adler (bateria). O álbum, que de cara tomava conta dos ouvidos de quem colocava o bolachão para tocar, estourou as vendas depois de a banda excursionar pela América como grupo de abertura para grandes nomes do rock, como Alice Cooper e Aerosmith, além de fazer seus próprios shows. É o 11º álbum mais vendido da história dos Estados Unidos, segundo dados da Recording Industry Association of America, perdendo somente para grandes medalhões como Thriller, de Michael Jackson, e o clássico The wall, do Pink Floyd.
Eventos no mundo todo vão marcar e comemorar o aniversário do Appetite for destruction. Na cidade, uma dobradinha de duas pratas da casa comanda o Guns N’ Roses Tributo – 25 anos do Appetite for destruction. O Martiataka e a Glitter Magic vão dividir o palco do Muzik neste sábado, a partir das 23h, em um show no qual todas as 12 músicas do álbum serão tocadas na íntegra. Primeiro vem o Martiataka com suas músicas autorais e, em seguida, engatam as seis primeiras canções do Appetite. Do riff avassalador da faixa inaugural Welcome to the jungle até a pegada marcante e o apito inconfundível de Paradise city. Depois, a Glitter Magic pega a partir de My Michelle, passa pelo grande sucesso do álbum, Sweet child o’ mine, e termina com Rocket queen, quando partirá para suas próprias músicas. Nós, assim como a Glitter, somos muito focados em manter um repertório tocando nossas músicas próprias, mas não podemos deixar de fazer esse tributo. Quem for, portanto, não vai acompanhar somente os 55 minutos do Appetite, mas um show de quase três horas, comenta o baixista do Martiataka, Thiago Salomão.
Razões do sucesso
Recordista de vendas para um álbum de estreia, o Appetite for destruction é visto como um produto que marcou o período para músicos e também para a crítica especializada, tanto hoje como há 25 anos. Na época do lançamento, o almanaque de música americano Allmusic apontou que as melodias são tão sujas quanto as letras, com um rock pesado e metálico com influências do blues. Também o descreveu como sombrio devido ao fato de medos, raivas e ressentimentos terem sido transformados em expressões artísticas. Já a revista Rolling Stone classificou o disco como um sucesso inevitável e que expressava toda a energia da América na voz de Axl, que era ao mesmo tempo assustadora e irresistível.
Hoje, as opiniões não mudaram muito. O guitarrista da Glitter Magic Luqui di Falco comenta que o disco representou uma revolução musical e marcou o hard rock, lançando o estilo para o estrelato. São 12 músicas perfeitas, 12 hits. Foi a combinação de um vocalista polêmico e sexy symbol, um guitarrista solo musical e melódico, um baixista competente e um ótimo compositor, um guitarrista base de extremo bom gosto e um baterista totalmente energético. Dessa forma, o mundo conheceu o Guns, e logo seus fãs fiéis, os gunners, fizeram deles uma das maiores bandas do mundo.
Para Thiago Salomão, é importante notar que o momento em que o álbum foi lançado era de profusão de bandas em Los Angeles, cidade natal do Guns N’ Roses. Entretanto, nenhuma chegou à magnitude que eles alcançaram. Segundo ele, uma combinação de sorte e material diferenciado pode ter contribuído para isto. O ‘Appetite’ foge da estética da época. É bem cru e com grandes músicas com nuances não muito usadas por outras bandas.
O proprietário do site Guns N’ Roses Brasil, Davi Pablos, observa que não é possível estabelecer uma razão única para o sucesso do Appetite. Ninguém sabe a fórmula, mas o ano de 1987 foi mágico para os cinco caras. Foi um álbum marcado pela originalidade. A qualidade musical dele é indiscutível até hoje. Será algo imortal.
Nova geração de fãs
Mesmo após 25 anos do surgimento da banda e do lançamento do seu disco de estreia, muitos fãs ainda procuram o álbum. Fã do Guns N’ Roses há seis anos, o técnico em informática Cláudio de Brites Vieira Bastos, de 20 anos, conta que conheceu a banda por acaso. Estava tentando achar uma música no computador de uma lan house, e a primeira que eu coloquei foi ‘Sweet child o’ mine’. Ouvi mais de dez vezes seguidas e fiquei apaixonado pelas linhas de guitarra, pelo riff e pela voz estridente do Axl Rose. Desde então, o Guns N’ Roses se tornou minha banda preferida, conta, afirmando que . o grupo mudou a geração dos anos 1980, assim como os Beatles nos anos 1960.
Vocalista da banda Atemiz, Guto Gaelzer também é fã do Guns N’ Roses. A cena precisava de uma banda que vivesse literalmente a filosofia do rock: sexo, drogas e rock’n’roll. O Guns era uma banda perigosa, nervosa, e eles não estavam posando de malvados, eles realmente levavam o caos por onde passavam. Quebravam hotéis, eram presos bêbados, sempre na Sunset Boulevard com garotas de programa.
Sábado, 23h
Muzik
(Rua Espírito Santo 1.081 – Centro).









