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Topetes, pin-ups e pomada outra vez


Por BRUNO CALIXTO

01/06/2012 às 07h00

No verão de 2006/2007, Curitiba entrou no mapa da música retrô, quando três garotas decidiram que já estava na hora de ter uma banda feminina na cena psychobilly brasileira. Formado por Baby Rebbel na guitarra e no vocal, Killer Klaw no baixo acústico e Clau Sweet Zombie na bateria, o grupo As Diabatz já rodou boa parte do mundo e do restante do Brasil e, neste sábado, estreiam em Minas, como atração para lá de especial da segunda edição da festa Rock’n’Billy, novamente no Bar da Fábrica amanhã. Há três semanas estamos aguardando chegar a hora de tocar aí, avisa, por telefone, Clau.

Quem abre a noite é a banda Bigtrep, que, embora não seja inédita por aqui, promete novidades para celebrar os 25 anos de estrada, como um DVD lançado no festival RioBilly em 2009 e uma prévia do CD Sem destino, previsto para julho, além de brindes para serem sorteados. Fizemos uma tiragem especial para Juiz de Fora de 50 exemplares do próximo disco, que traz autorais já gravadas em outros trabalhos, conta o guitarrista e vocalista Mauricio, companheiro de palco de Eduardo Garcia (contrabaixo acústico e voz), El Carburador (guitarra desde 2008) e Fernando Oliveira (baterista desde 2003).

Topetes, costeletas e camisa branca com as mangas dobradas se tornaram ícones de uma geração. Numa época em que apenas fotos de mulheres com roupas íntimas já abalavam o mais puritano dos garotos, surgiu Bettie Page e muitas outras modelos – a maioria norte-americana – em poses pin-ups. Atrás dos saudosistas desta atmosfera dos anos 50, 60 e 70, a produtora Priscilla Karem retomou a ideia emplacada em 2011, quando a temática ganhou a programação musical da cidade. A galera que curte já anda a caráter, se prepara para cortar a franjinha pin-up ou fazer o topete, afinal o figurino também é importante, ressalta a produtora.

Durante os intervalos, os DJs Claire e Monstro asseguram o que fizeram na edição passada e garantem que vão manter a atmosfera dançante com nomes que não podem ficar de fora de uma festa regada à pomada. The Cramps, Coke Luxe, Baratas Tontas, Dead Bile e Catalépticos são algumas das opções de Monstro. Num ritmo mais alucinante, à la Johnny Burnette, Claire preparou um set repleto de suingue e rebolado, com Wanda Jackson e tudo o que remeta ao final dos 70, numa tentativa clara de modernizar o rock com referências do punk. Damilo Mezonato faz uma participação na pickup.

A baterista Clau Sweet avisa que a intenção das Diabatz é tocar o psychobilly clássico, do início dos anos 80, com bases simples e guitarras limpas. As letras, feitas em conjunto, abordam temas como terror, diversão, homens, mulheres, insanidade, pesadelos etc. As principais influências são as bandas The Meteors, Torment, Dypsomaniaxe, Krewmen, Batmobille e Ricochets. Em comum, todas são lideradas por machões. É claro que rola aquele preconceito por sermos mulheres, mas isso nunca nos impediu, afirma Clau, que também vai brindar o público com camiseta, bottons e outros souvenirs, além do EP lançado em fevereiro, com cinco autorais e uma releitura da banda holandesa Batmobile. Elas ainda se preparam para uma turnê pela Europa em setembro, quando pretendem lançar, por lá, uma edição especial do EP em vinil.

Antes de as curitibanas assumirem o microfone, os meninos topetudos da Bigtrep mostram, mais uma vez por aqui, que música não é só irreverência, mas vitalidade das duas principais influências: o rock’n’billy e o psychobilly, sem deixar de flertar com vários outros estilos. É possível escutarmos ecos dos velhos blues das décadas de 30 e 40, dos precursores do rock no Brasil e jovem guarda, contribuições dos anos 60 com o rhythm’n’blues, das 60’s garage bands e dos punk rock. O resultado desta mistura é um som calcado no passado sem cair no saudosismo, ciente do presente e de olho no futuro, finaliza Maurício.

ROCK’N’BILLY

Amanhã, às 23h

Bar da Fábrica

(Praça Antônio Carlos)