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Cada vez mais radical


Por Bruno Kaehler

30/12/2016 às 07h00


Com apenas 19 anos de idade, ela já venceu a maioria das competições regionais em cidades como Viçosa, Leopoldina, Ubá, Bicas e Rio Novo. Em 2016, foi oitava colocada no Campeonato Brasileiro feminino, em São Paulo, entre as skatistas que ainda não sacramentaram a profissionalização. Morando em Juiz de Fora há dois anos e nascida em São João Nepomuceno, Gabriela Serpa não se vê fazendo outra coisa na vida que não esteja relacionada a uma manobra. Após um ano produtivo finalizado com o primeiro lugar no ranking de Minas Gerais, a promissora atleta busca agora resultados que carimbem seu passaporte para o Mundial de Skate e até mesmo a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

“Em 2017 estou planejando uma série de treinamentos para poder atingir resultados mais expressivos no Brasileiro do que o oitavo lugar. Quem sabe uma classificação entre as três primeiras ou algo assim. Porque o campeonato nacional serve como base para outros. Se você ganhar destaque, pode ir para o Mundial. E na Olimpíada de Tóquio, em 2020, vai ter skate, e para você chegar lá tem que passar pelo Brasileiro e pelo Mundial. Minha ideia é essa, aumentar a divulgação do que faço para progredir”, relata.

"A partir do momento em que você consegue uma manobra, abre sua cabeça para tentar outras diferentes" (Foto: Fernando Priamo)
“A partir do momento em que você consegue uma manobra, abre sua cabeça para tentar outras diferentes” (Foto: Fernando Priamo)

Tamanha é a ambição de Gabriela que a jovem busca seguir carreira profissional na psicologia e está estudando para prestar vestibular na área. “A ideia é justamente conseguir relacionar as duas coisas. Skate é muito psicológico, se você pensar em errar uma manobra, vai errar. E se não estiver com a cabeça boa não conseguirá um bom desempenho”, diz.

 

‘Ninguém sabe tudo’

Fazendo do skate seu melhor amigo há sete anos, Gabriela encontrou espinhos sobretudo no início do caminho, mas que foram superados com muita criatividade e perseverança. “Desde que comecei a andar, levava mais na brincadeira. O começo é muito difícil, porque você machuca bastante. Mas depois de três anos, comecei a competir e já sabia que era o que queria para o resto da minha vida. Perdi muitas competições antes de começar a ganhar. Em Bicas, teve uma vez que tive um grande destaque por uma manobra em que pulei uma rampa inteira dando mais de 2m de altura. Desde então, comecei a ganhar quase tudo o que disputei na região”, relembra.

Entre as peculiaridades da modalidade que encantam Gabriela estão os desafios do improviso que anulam qualquer possibilidade de que a prática caia na rotina. “A partir do momento em que você consegue uma manobra, abre sua cabeça para tentar outras diferentes. Não existe ninguém que sabe tudo no skate. É muita coisa improvisada como andar na parede, pular obstáculos. E você mesmo vai se incentivando a evoluir. Às vezes ando, não aprendo nada novo, mas só de praticar já estou evoluindo. Se eu for da minha casa até a escola estou melhorando, e isso é o mais legal no skate”, pontua.