A hora da revanche

Com espaçonaves do tamanho de oceanos, alienígenas voltam dispostos a acabar de vez com nossa raça
Vinte anos pode parecer muito tempo, mas a lógica de Hollywood pode realmente ser considerada bem particular e peculiar. “Independence Day: O ressurgimento” chega aos cinemas brasileiros mostrando uma nova invasão alienígena à Terra, organizada pelos mesmos ETs que quase transformaram nosso planeta numa terra devastada no longa de 1996 dirigido pelo alemão Roland Emmerich. Desta vez, porém, escaldados pela reação terráquea na ocasião, os seres de um planeta distante chegam ainda maiores e piores.
A continuação do misto de ação e ficção científica pode ser considerada um milagre, a despeito do sucesso mundial de duas décadas atrás. O motivo é simples: Hollywood adora realizar esses filmes-catástrofes em que o mundo e a humanidade ficam à beira da extinção, seja por invasão extraterrestre, apocalipse nuclear, a natureza se vingando do homem ou o fim de mundo previsto pelos maias. O problema é que a Meca do cinema só se preocupa com o espetáculo, pouco se lixando para os óbvios dramas pessoais ou globais decorrentes da destruição. Todo mundo assistiu, por exemplo, à chegada catastrófica de uma nova Era do Gelo em “O dia depois de amanhã”, mas assim que o personagem de Dennis Quaid salvou seu filho e a namoradinha dele, todo mundo ficou feliz – inclusive os americanos que conseguiram se mudar para o México. Como o mundo ficou depois que virou um picolé gigantesco era simplesmente irrelevante.
Foi assim também em “2012”, com o personagem de Jon Cusack conseguindo embarcar a família em uma arca gigantesca. Bilhões foram mortos, as placas tectônicas mudaram de lugar, continentes foram rearranjados, a economia, a sociedade acabaram – ganchos mais que suficientes para uma continuação que nunca existiu.
Cheios das más intenções
Essa era, até agora, a mesma sina de “Independence Day”, apesar de que uma continuação sempre era ventilada nos escritórios de Hollywood. O gancho, todavia, sempre existiu para o que é considerado por muitos como o maior filme B de todos os tempos em termos de custos de produção. O ano era 1996, véspera do Dia da Independência americana, quando uma dúzia de naves espaciais gigantescas se posicionaram sobre algumas das maiores metrópoles da Terra. Muita gente feliz etc. e tal, mas logo chegou o cara comum (o cientista David Levinson, interpretado por Jeff Goldblum), aquele que causa empatia com o público, para descobrir que algo ali não cheirava bem. Como é de praxe, só passam a acreditar no sujeito quando é tarde demais, e lá foram os ETs detonarem Nova York, Washington, Londres, Moscou, destruírem satélites, deixarem o mundo no breu.
Com a raça humana à beira da extinção, o primeiro “Independence Day” abandona a primeira hora realmente eletrizante para virar uma patriotada sem fim. Coube a esse mesmo homem comum – americano, claro – desenvolver um vírus de computador(!) capaz de invadir os sistemas do inimigo e permitir aos exércitos de todo o planeta darem um pau nos alienígenas, destruindo suas naves – incluindo a nave-mãe, explodida por uma bomba nuclear – e iniciando uma festa em toda a Terra. Liderados pelos Estados Unidos, claro. Fim.
Os anos seguintes
Mas e aí, como é que fica, minha gente? As maiores metrópoles do planeta viraram pó, presidentes, reis e primeiros-ministros morreram, assim como centenas de milhões de pobres seres humanos, economias arruinadas, naves gigantes despencando dos céus… Só isso daria uma bela continuação, certo? Sem esquecer que ninguém sabia se haveria alienígenas dispostos a uma revanche das boas.
E é isso que o filme novamente dirigido por Emmerich, enfim, ajuda parcialmente a resolver. Conforme mostrado em trailers, teasers, comerciais e sites virais, a humanidade não ficou apenas no “vamos reconstruir nossas casas”. Todas as nações do mundo se deram conta de que não poderiam contar com a sorte novamente e decidiram se prevenir para uma nova invasão. Elas se uniram para estudar a tecnologia alienígena que sobrou da invasão para construir novas armas, aeronaves, espaçonaves e sistemas de defesa, incluindo uma base na Lua. Novos militares foram treinados para defender a Terra dos extraterrestres.
Mas parece que não vai adiantar muito. Como Roland Emmerich gosta de criar algumas situações inverossímeis, as forças de defesa são incapazes de detectar uma nave maior que a maioria dos continentes da Terra, e aí vai ser um Deus nos acuda: os aliens chegam detonando com vontade, destruindo tudo o que veem pela frente com armamentos ainda mais poderosos que no longa original.
Em meio a destruição e subtramas que ajudam a provocar aquela sensação de proximidade com o público, “Independence Day: O ressurgimento” conta com a volta de praticamente todos os atores principais do filme de 1996. Além de Jeff Goldblum, Bill Pullman diz presente no papel do agora ex-presidente americano Thomas J, Whitmore, Vivica A. Fox é Jasmine Hiller, Brent Spiner volta ao cientista maluco Brakish Okun e Judd Hirsch interpreta Julius Levinson. A ausência mais sentida, claro, é a de Will Smith, que se recusou a voltar ao papel do piloto Steven Hiller. A solução foi matar o herói durante o teste de uma das novas aeronaves e passar o posto de protagonista para seu filho, Dylan, interpretado por Jessie Usher.
Para quem gostaria de saber o que acontece no dia depois de amanhã desses filmes de destruição alucinada, “Independence Day: O ressurgimento” pode ser um parque de diversões do Apocalipse.
INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO
UCI 3 (3D/dub): 13h30 e 18h30. UCI 3 (3D): 16h, 21h (todos os dias) e 23h30 (sexta-feira e sábado). Cinemais 5 (3D/dub): 14h20 e 19h20. Cinemais 5 (3D): 16h50 e 22h
Classificação: 10 anos









