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A hora do reencontro


Por JÚLIO BLACK

12/05/2016 às 07h00- Atualizada 12/05/2016 às 08h16

Cantor cearense diz estar com saudades da cidade que tanto frequentou no início da carreira

Cantor cearense diz estar com saudades da cidade que tanto frequentou no início da carreira

Raimundo Fagner está de volta a Juiz de Fora. Após oito anos de ausência, o cantor e compositor cearense se apresenta nesta quinta-feira, às 21h, no Cine-Theatro Central, apresentando alguns de seus maiores sucessos em mais de 40 anos de carreira (“Borbulhas de amor”, “Riacho do navio”, “ABC do Sertão”, “Deslizes”), além de canções de seu mais recente álbum, “Pássaros urbanos”, e pelo menos uma inédita: “Não desista de mim”, parceria com Moacyr Franco – mais uma mãozinha do parceiro Zeca Baleiro – que foi apresentada ao público pela primeira vez no último sábado, em Brasília. “Estou com muita saudade daí, faz tempo que não vou a Juiz de Fora, cidade que tanto frequentei no meu início de carreira”, diz Fagner. “A relação com o mineiro é fraterna demais, é o povo que mais me prestigiou no início de carreira.”

Para o artista, é muito emocionante a possibilidade do reencontro com um público que acompanha sua carreira desde os anos 70, assim como as gerações seguintes que foram influenciadas pelas suas músicas – muitas delas integrantes de suas memórias afetivas. “Minha agenda é muito cheia, estou fazendo mais shows que imaginava. Afinal, sou avesso a certas coisas que geralmente precisam ser feitas para estar na ativa. As reações são emocionantes em todas as gerações. Todo dia é uma surpresa: as pessoas sempre me passam essa energia, seja no palco, na rua”, diz ele, acrescentando que essa relação, muitas vezes, independe da mídia ou do “sucesso” do momento. “O público sabe onde está o artista. Uma boa divulgação é importante, mas as pessoas sabem o que querem. Hoje temos muito mais acesso à informação, não tem mais aquela mídia direta, tudo está muito aberto.”

E o quanto Fagner, o artista, mudou nessas quatro décadas de carreira, artisticamente falando? Para o cantor, é possível trilhar novos rumos e permanecer essencialmente o mesmo. “Acho que não perdi a essência do que sou. A gente vai aprendendo, amadurecendo. O país é muito grande, dá tempo de conhecer muita coisa sem deixar de ser o que somos. Comecei cedo, com 20 anos já estava nas paradas, o que acontece é que o tempo vai amadurecendo as relações. Temos a preocupação de não decepcionar o público, sermos profissionais. É preciso ter o prazer de apresentar o nosso melhor nos shows, e o tempo dá essa maturidade”, acredita. “Nós vivemos de motivação, seja ela artística ou do público.”

Ao mesmo tempo, todo esse tempo na estrada ajuda a enxergar todas as mudanças pelas quais o país mudou, e Fagner vê com muita preocupação o momento atual, ainda que acredite que é possível, sim, melhorar. “Procuro entender o país, estar sempre bem informado. É importante que nos manifestemos por meio da arte, porque vivemos um momento conturbado. A arte pode ser uma boa válvula de escape, afinal o povo está sufocado com toda essa coisa que acontece na política.”

Projetos à vista

Além da canção inédita que vai ser executada no show, Fagner diz ter mais três ou quatro prontas para o próximo álbum, que deve ser lançado ainda este ano. “Tenho feito alguma coisa com o Michael Sullivan e também com o Zeca Baleiro, estou conversando com ele para entrarmos em estúdio, no máximo daqui a um mês. Também estou terminando mais parcerias com outros artistas”, adianta. Essas parcerias e projetos com outros artistas, acrescenta, são elementos que ajudam a não deixar sua carreira e produção estagnadas – como foi o caso do espetáculo com Zé Ramalho que rendeu em 2014 um DVD ao vivo. “Se você pegar minha discografia pode ser que eu seja o artista que mais gravou com outros nomes, seja Cauby Peixoto, Agnaldo Timóteo, as grandes cantoras, os modernos, os mais populares, mais sofisticados. O disco com o Zeca Baleiro teve uma resposta impressionante com o público mais jovem. Gravei dois discos com o Luiz Gonzaga, com Zé Ramalho, que é meu compadre e vizinho… Talvez tenha faltado algo de inédito com ele. Mas é legal essa energia, quando toco com outros artistas vejo um outro mundo, uma nova conexão.”

Além do novo álbum, Fagner tem dois projetos antigos que espera, um dia, poder realizar. “Eu tenho o desejo de gravar um álbum que misturasse a música libanesa com os ritmos nordestinos. Seria uma homenagem a meu pai, que nasceu no país e era cantor também. Seria uma continuação do ‘Traduzir-se’, que gravei na Espanha em 1981 com diversos artistas, como a Mercedes Sosa. E também quero gravar um disco só com as grandes serestas. É uma música tipicamente brasileira que está um pouco esquecida, apesar de termos locais como Conservatória (RJ) em que ela é muito presente. Precisamos desse disco para contemplar um público que está carente de um trabalho do tipo.”

FAGNER

Nesta quinta-feira, às 21h

Cine-Theatro Central

(3215-1400)