Memórias vividas em Juiz de Fora

Com regência do médico juiz-forano Samir Rahme, a Orquestra do Limiar apresenta o projeto “Música nos hospitais”
Foi a pedido do conterrâneo e regente da Orquestra do Limiar, Samir Rahme, que o juiz-forano Edmundo Villani-Côrtes compôs “Os escravos de Job”. A peça descreve as memórias da infância de Villani-Côrtes na cidade natal. “Fiz uma versão ampliada da canção folclórica. Lembro-me de quando era menino e ficávamos assentados em volta de uma roda passando as pedrinhas. É uma pequena fantasia. O tema é bem simples e curtinho. Acabei desenvolvendo-o especialmente para o formato de uma camerata formada só por instrumentos de cordas”, conta o compositor, cuja mais nova criação estreia em Juiz de Fora.
“Ela nasce em Juiz de Fora e depois seguirá sendo tocada dentro do projeto ‘Música nos hospitais’, que reserva uma parte da verba para encomendarmos obras de compositores brasileiros”, conta Samir, que retorna ao berço em que nasceu e se formou em medicina para as apresentações. O concerto aberto ao público está marcado para quarta-feira, ao meio-dia, na capela da Santa Casa de Misericórdia. Nesta terça, às 19h30, o grupo recebe convidados para um ensaio geral na Galeria Maria Amalia, do Museu Mariano Procópio.
“Tenho uma relação muito forte com Juiz de Fora e sei da importância do museu. Seu acervo é um dos mais importantes do país. Já tinha proposto fazer um flashmob, chamando atenção para a restauração e agora coincidiu de acontecer. É uma oportunidade de mostrar que o nosso museu é uma instituição de primeiro mundo”, afirma o maestro, à frente do primeiro evento dentro do espaço fundado por Alfredo Ferreira Lage, desde o seu fechamento, em 2008. “Ainda estamos em obras, mas queremos, além de proporcionar música, a qual o museu está e sempre esteve vinculado, aproveitar as potencialidades da galeria para futuras ações e, com isso, avaliar também as condições desse espaço para receber eventos”, diz o diretor-superintendente da instituição, Douglas Fasolato.
Para as apresentações, a Limiar traz clássicos de Vivaldi, Mozart e obras de outros brasileiros, como Beetholven Cunha. O encerramento será com “Eleanor Rigby”, dos Beatles. “O repertório é o mesmo, mas, talvez, eu faça uma peça nova para o museu. Quero que o público veja como é que a gente ensaia. De repente, vai ser um rock”, comenta o maestro, ressaltando que o objetivo do projeto “Música nos hospitais”, mantido com apoio da Lei Rouanet, é levar música de qualidade para dentro dos hospitais. “Nosso programa é variado, passamos por várias épocas da música.” Com seus 14 músicos, desde 2002, Samir Rahme segue estrada, defendendo uma iniciativa que ultrapassa o entretenimento e divulgando a música brasileira para cordas.
“A ideia foi do presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral. Ele percebeu que a rotina hospitalar era muito extenuante e que, às vezes, o corpo clínico e os pacientes não podiam sair para ter contato com atividades artísticas. Como sou um médico formado em composição e regência pela Unesp, foi um casamento perfeito”, conta o maestro, adiantando que, antes da apresentação da capela da Santa Casa, os músicos se dividirão por quatro andares do hospital. “É muito bonito quando o hospital para um pouco para respirar. Não tenho a intenção de fazer musicoterapia, mas aquele momento é muito terapêutico. O repertório é escolhido a dedo a fim de atingir a sensibilidade das pessoas.”
ORQUESTRA DO LIMIAR
Ensaio nesta terça, às 19h30(para convidados)
Museu Mariano Procópio
Concerto nesta quarta, ao meio-dia
Capela da Santa Casa de Misericórdia
(Av. Rio Branco 3.545)









