Gigante acordando
Degrau por degrau, já é possível admirar o palco das mais diferentes posições da plateia. Canto a canto, já é possível andar por todo o palco, até então um buraco em toda a sua extensão. O gigante acordou, e em seis meses já é possível entender como será o tão aguardado Teatro Paschoal Carlos Magno, que deve ser entregue até o fim deste ano, após mais de 30 anos de impasse. “Segundo o nosso cronograma, a entrega é para o segundo semestre. Claro que lidamos com variações da obra, mas caminhamos nesse planejamento”, garante o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, sem anunciar o mês em que ocorrerá a inauguração.
De acordo com ele, o projeto licitatório, vencido pela Vero Engenharia, inclui todo o mobiliário, como poltronas e ar-condicionado, exceto equipamento de som, que deve ser licitado nos próximos meses. “Está tudo dentro do estabelecido. O grande volume já está pronto e estamos satisfeitos com o andamento”, comemora Dutra, assegurando tratar-se de uma prioridade da pasta. Segundo a legislação eleitoral vigente, um candidato a reeleição não pode comparecer a inauguração de nenhuma obra pública no período de três meses que precedem as eleições.
Anunciada no último sábado, 19, pelo vice-governador e presidente do diretório estadual do PMDB, Toninho Andrade, a pré-candidatura do prefeito Bruno Siqueira ao pleito municipal de 2016 indica, então, o mês de julho como o último possível para que o governante participe da inauguração da casa. Mas não há tempo hábil para tal, já que ainda faltam trabalhos de alvenaria, como pequenas demolições. Até agora, o telhado foi totalmente refeito, o palco foi fechado, acabamentos em reboco já aconteceram, bem como a criação de um anfiteatro com 60 lugares e um espaço no subsolo.
Sem o terreno da creche
Observando a parte traseira do imóvel localizada à Rua Gilberto de Alencar, logo atrás da Igreja São Sebastião, é possível constatar o andamento de toda a construção, bem como a monumentalidade do prédio. Os camarins ocupam três andares e dão vista para os fundos. Estão todos quase finalizados, faltando, apenas, o elevador que ligará os pavimentos. O teatro está sendo estabelecido considerando a acessibilidade. Na porção frontal, uma plataforma elevatória oferece o acesso aos três andares que reservam salas administrativas e uma farta cabine de som e luz, com banheiro.
Logo na entrada do teatro, um café recebe o público de um lado, enquanto, do outro, podem ser vistos a bilheteria, sanitários e anfiteatro. Na parede que se põe à frente da porta da sala principal, Toninho Dutra anuncia que será fixado um painel artístico, alvo de um concurso a ser publicado nas próximas semanas. “Será uma obra de arte integrada ao prédio”, explica. Na lateral direita do espaço, um deque servirá para que caminhões de pequeno porte descarreguem cenários e figurinos. O material, no entanto, terá que passar por um fino corredor.
Segundo o superintendente da Funalfa, o projeto original previa outra solução para os carregamentos, hoje impossível de ser executada. “O teatro incluía o terreno da creche. Era como um ‘L’, da Rua Halfeld à Rua Gilberto de Alencar. Tudo era muito maior. Agora, como só havia esse terreno, pensamos nessa possibilidade”, diz, ponderando sobre a diminuição, também, dos próprios cenários. “Hoje eles são desmontáveis, não há grandes peças. E não havia outra saída”, conclui.
Funcionalidade para viabilidade
Passadas mais de três décadas desde o início das obras, não só a dimensão do terreno se alterou, como tudo a seu redor. O trânsito é outro, a movimentação é outra, e, ainda, a demanda é outra. Adaptações, portanto, foram necessárias. A área técnica, por exemplo, era muito maior, ocupando dois andares. “Com a compactação gerada pela tecnologia, muitas coisas que tinham um volume grande há 30 anos hoje já são bem menores”, aponta Toninho Dutra, citando a redução da área para apenas um pavimento.
Outros espaços, no entanto, surgiram com o decorrer da obra, como o subsolo, reservado às caixas d’água, geradores e ar-condicionado. “Ganhamos esse espaço para ter uma oficina de cenário, de costura, ou manutenção, serralheria, também. A ideia é colocar algumas bancadas e grades para pendurar o que for necessário”, indica Dutra, referindo-se a uma área que seria inutilizada segundo projeto anterior. Uma sala de reuniões e ensaios também surgiu desse modo.
“A ideia é que o teatro seja usado todos os dias”, comenta Dutra, “e a grande sala, por uma questão de preservação e economia, só seja aberta para espetáculos”. O modelo de gestão, no entanto, ainda não foi definido. Pode ser que o novo teatro siga o caminho do CEU da Zona Norte e incorpore uma gestão compartilhada com uma organização social ou seja coordenado diretamente. Ou, ainda, que se elabore nova proposta. “Ainda não pensamos em gestão. Estamos esperando até para ver o que cada espaço pode oferecer. Esta é uma das próximas etapas do trabalho”, pontua o superintendente. Na urgência da classe artística e na carência do público, o teatro, gigante, vai ganhando forma, e a expectativa de que seja gigante para a cidade vai ganhando força.













