Prepare-se para o bloco da farinha

No álbum “TrupiFolia”, a banda Trupicada apresenta 11 canções: sete autorais e quatro regravações
A banda já está na rua. O convite para a festa está feito, e o som há muito tempo está na ponta da língua da garotada e (por que não?) do papai e da mamãe. “Já vai começar a trupifolia!/ já vai começar a trupifolia!/estão todos convidados,/meu senhor, minha senhora/ vai ter festa o dia inteiro/ vai ter samba a noite afora/ vai ter tambor com tamborim/ e panderola/ a criançada já tá pronta esperando o bloco da farinha/colher na mão e a latinha…”, anuncia a canção “TrupiFolia”, de Felipe Tavares, a primeira das 11 faixas do segundo CD da banda Trupicada, cujo lançamento oficial está agendada para domingo, às 17h, no Teatro Pró-Música, através do edital de ocupação da casa. Para essa aventura recheada de contação de histórias, teatro e brincadeira, Felipe, Renato Mello, César Demolinari, Daniel Lovisi, Amanda Martins, Vitor Rozeni, Lívia Gomes e Beto Grizendi contarão com a ajuda de peso do grupo Lúdica Música!, também responsável pela direção musical do novo trabalho.
Com apoio da Lei Murilo Mendes, o grupo preparou um repertório que mescla samba, chorinho, frevo, partido alto e marchinha. Embora os ritmos sejam a cara do carnaval, eles não foram pensados, especificamente, para esse período do ano, conforme garante a trupe. Além de sete canções autorais, tem quatro regravações, sendo uma de Noel Rosa, a famosa “Com que roupa eu vou”; “Tem gato na tuba”, de Braguinha; “Desengonçada”, de Bia Bedran; e “Raios e trovões”, de Hélio Ziskind. “Podemos garantir que será um dia de muita diversão. O CD foi lançado com antecedência nas plataformas digitais, e o repertório já é conhecido do público porque tem sido trabalhado nos shows. É um disco cem por cento brasileiro”, assevera o produtor Marcelo Costa Carvalho.
E por falar nesse setlist que é a cara do Brasil, é de dentro da própria banda que sai a maioria das canções. “Temos parceiros que nos passam músicas e pessoas que gostam da gente, como o Lucas Soares. Mas também compomos muito. O Felipe é o que mais compõe. Tem música, também, do Daniel e da Amanda, e outras que nasceram em conjunto. Nos ensaios, vão surgindo ideias, que, às vezes, nos pegam de surpresa, para um produto lá na frente. Deixamos que tudo aconteça naturalmente”, confidencia o músico César Demolinari.
O interesse é fazer história
Não é muito difícil deduzir quais serão os frutos do “TrupiFolia”, caso o caminho trilhado pela Trupicada a partir de agora seja o mesmo do primeiro álbum, lançado em 2011. As duas tiragens de mil discos que saíram do forno há cinco anos, também com apoio do fomento municipal, não demoraram muito para sumir das prateleiras. Isso sem contar os downloads gratuitos realizados, diretamente, no site do grupo. Com quase uma década de formação, a trupe ainda provou toda sua popularidade no último carnaval, ao montar um bloco só dela e arrastar centenas de meninos e meninas para o Bairro Bom Pastor, durante a programação do Corredor da Folia, promovido pela Funalfa. “Nosso sonho sempre nos levou a acreditar que seria assim, um trabalho de grande proporção, que alcançasse muita gente. Apesar de ser um projeto específico para crianças, atingimos, ainda, os adultos, porque eles se identificam com o que está por trás daquilo ali”, comenta Demolinari.
Vislumbrando um passo mais audacioso, depois de conquistarem o berço e de se apresentarem em outras cidades, o interesse do Trupicada, agora, é fazer história. “Não temos nada palpável no momento, mas a gente pensa, sim, em chegar à grande mídia, pela possibilidade, até, de se tornar referência para uma geração. O Balão Mágico, por exemplo, foi referência para minha faixa etária e para quem é dos ano 80. Queríamos atingir as pessoas dessa forma”, acrescenta Demolinari, pontuando a cartilha do grupo.
“Éramos amigos antes de sermos banda. Somos educadores, antes de sermos músicos, e nossa ideia era fazer uma banda verdadeira, em que os instrumentos chegassem na frente. Que as músicas tivessem arranjos específicos e que fossem uma história cantada. O teatro e o lúdico vieram das nossas experiências de sala de aula. Só transferimos para o palco o que já fazíamos”, recorda-se ele, colocando o grupo em uma posição vantajosa no cenário atual. “Vemos que as músicas infantis, de forma geral, têm um maior apelo do visual, do lúdico, e a questão musical acaba se perdendo. A gente quis fazer o inverso, pensar na música em si, elaborar muito bem os arranjos.”
Como o sucesso é o que se planeja e a agenda começou a ficar cheia, o grupo precisou estruturar-se. “A Trupicada, hoje em dia, é assessorada por uma empresa de produção de artes cênicas, a M Costa Carvalho. No início, essa atividade era desenvolvida internamente, mas depois o projeto foi crescendo. A banda começou a participar de vários editais e montou um miniestúdio, onde acontecem os ensaios todas as semanas”, conta o produtor Marcelo Carvalho, ressaltando que, aos dois CDs, às duas linhas de camisas e outros acessórios lançados com a marca Trupicada, em breve, se juntará um DVD, ainda sem data de lançamento.
“O mercado é rico e, ao mesmo tempo, muito propício, porque existem poucos grupos infantis que fazem um trabalho de qualidade, musicalmente. O grupo deu muito certo, também, porque as famílias vão ao show e ficam atentas com as crianças até o final. Logicamente, a base musical do Trupicada é muito importante. É um grupo de música que carrega todos os elementos das artes cênicas. Por isso, atinge a massa.”
Trupicada
LANÇAMENTO DE CD TRUPIFOLIA
6 de março, às 17h, no Pró-Música
(Av. Rio Branco 2.329 – Centro).









