Gratidão em branco e preto

Terceiro álbum de Tiago Sarmento deve começar a ser gravado no meio do ano, refletindo a influência da folk music em seu trabalho
Divulgar o trabalho é preciso, e Tiago Sarmento vem fazendo sua parte. O cantor e compositor lança nesta quinta-feira o seu primeiro videoclipe, “Obrigado”, uma amostra do seu terceiro trabalho solo, “Folk it!”, que deve ter suas gravações iniciadas por volta do meio do ano. O vídeo, dirigido por Bruno Santos, pode ser conferido no canal do artista no YouTube.
O vídeo de “Obrigado” carrega o signo da urgência, por assim dizer. Segundo Tiago, ele foi gravado pela manhã, em um dia da última semana de janeiro, no Diversão e Arte, e à noite a primeira edição já estava pronta. Depois, foi apenas questão de fazer os ajustes finais. “O Bruno apareceu com a proposta de realizar o vídeo, e eu topei na hora. ‘Obrigado’ foi a escolhida por ser uma das canções do próximo álbum que já estava praticamente pronta”, explica. Pronta, pero no mucho: um dia antes da gravação do vídeo, Tiago se trancou no estúdio Mother’s House para gravar a canção.
Já a concepção da música – uma parceria de Tiago com Del Guiducci, do Martiataka – vem de um processo gestacional bem mais longo. “Eu estava trabalhando no segundo álbum (“Quando as cores acabarem”, de 2013) e chamei o Del para trabalhar em algumas composições. Ele tinha uma música com apenas a primeira estrofe. Foi algo que chegamos a gravar e ficou armazenada no meu computador. Quando comecei a trabalhar nas composições do ‘Folk it!’, eu a resgatei e ela acabou se tornando a peça-chave do conceito do futuro disco, que é mais simples, intimista, sem virtuosismo”, conta Tiago.
“Folk it!”, que, a exemplo de “Quando as cores acabarem”, será gravado por meio da Lei Murilo Mendes, já está em fase de pré-produção com Nando Costa, com previsão de gravação a partir do meio do ano e lançamento em 2017. Segundo Tiago Sarmento, o novo trabalho será bem diferente do seu antecessor e do trabalho de estreia, “O que fizeram com você?” (2010), tendo como base o mesmo estilo ouvido – e visto – em “Obrigado”: a folk music de gente como Neil Young, Simon and Garfunkel, Sá & Guarabyra, Belchior, Bob Dylan etc. “O folk era uma tendência minha desde o primeiro disco, e mesmo que eu não percebesse foi se acentuando com o tempo. As músicas antigas que tenho tocado ao vivo já estavam sendo adaptadas para esse clima devido à mudança de formato das minhas apresentações, agora em voz e violão”, observa. “A maioria das canções do novo trabalho será nesse clima folk de voz e violão, poucas serão com banda. Teremos solos de guitarra, mas não serão aqueles de dez minutos no estilo rock progressivo.”
Tiago acrescenta, ainda, que o próximo álbum será diferente não apenas na música, mas também nas letras. “Elas mudaram, estão mais positivas, otimistas em relação às anteriores, que falavam de suicídio, incesto, outras coisas. Acho que passei a me importar menos com as coisas ao meu redor, e isso deixa tudo mais leve. E acredito que estou mais maduro também. Na época do segundo disco eu estava em São Paulo, e, que os meus amigos paulistas me desculpem, mas… não dá para ser positivo em São Paulo (risos).”
Para encerrar, Tiago lembra um fato que, para ele, ilustra a mudança artística-pessoal pela qual vem passando. “Eu enviei uma das novas músicas para uma amiga ouvir, e ela mandou uma mensagem chorando de emoção, porque a canção tinha tudo a ver com o momento que ela estava passando. Foi uma reação que nunca tinha visto antes em relação ao meu trabalho. Vi que era assim que deveria tratar a vida, como algo que tem seus problemas, muitas vezes em grandes quantidades, mas que precisamos e devemos aproveitar as coisas boas.”









