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Diversos cenários

A semana termina com incertezas múltiplas por conta dos impasses, especialmente, nas instâncias de poder, que continuam maximizados


Por Tribuna

01/04/2021 às 07h00

O auxílio emergencial a ser pago a partir do dia 6 deste mês pode não ser o ideal, o que é fato, mas é melhor do que nada num momento em que famílias inteiras estão sem renda. Os recursos, se comparados com a primeira experiência, não cobrem despesas básicas, mas também não há espaço para medidas econômicas que podem ter consequências graves no futuro. Mesmo assim, a equipe do ministro Paulo Guedes, da Economia, precisa atuar no sentido de ajustar projetos para salvar o setor produtivo, cujas dificuldades se acentuam com a pandemia. As medidas de restrição são necessárias, mas a conta não fecha se algum tipo de compensação não for implementado.

Em diversas regiões, há compensações na área dos tributos, para minimizar os custos. É um dos caminhos, pois não dá para conciliar queda de produção com cobranças de impostos e taxas como se o período fosse de normalidade. A Câmara aprovou projeto para esticar a entrega das declarações de renda para o segundo semestre, mas não se sabe se o ministério vai comprar a ideia.

A pandemia, além de tornar-se tema recorrente em todas as pautas, é, sobretudo, um desafio para a própria sociedade. O único consenso é a importância da vacina. Nas demais agendas, o conflito permanece, como é possível ver, de novo, na questão do lockdown. No mesmo dia em que o comitê integrado por representantes de todos os poderes enfatiza a necessidade de medidas de isolamento, o presidente Jair Bolsonaro, na cerimônia em que anunciava o auxílio emergencial, voltou a criticar as decisões de prefeitos e governadores, advertindo que “o povo quer trabalhar”. As consequências do pronunciamento são incertas. Embora seja um desejo do chefe do Executivo, estados e municípios, por interpretação do Supremo Tribunal Federal, têm autonomia para decidir tal questão.

Em Minas, embora tenha descartado a possibilidade de antecipar feriados, como fizeram Rio de Janeiro e São Paulo, o Governo ampliou o prazo das medidas restritivas por mais uma semana, pois os números continuam ruins nos hospitais.

A fala do presidente em contraste com a dos governadores e prefeitos cria um cenário de instabilidade. O próprio presidente disse temer por problemas sociais gravíssimos. O cabo de guerra permanece, ao mesmo tempo em que a vacinação está lenta em várias partes do país.

O feriado desta sexta-feira será emblemático para o país, pois tanto pode arrefecer ânimos – exacerbados pela economia, pela pandemia e até por mudanças nos escalões militares – quanto pode facilitar conversas que devem ser implementadas nas instâncias de poder. A conferir.