Bendito quem vem em nome do Senhor!
Nessa semana que se encerra, o Bispo de Roma fez mais uma viagem histórica de forte simbolismo no mundo atual. Foi a Cuba e aos Estados Unidos. Esses dois países, há décadas separados, recentemente reataram suas relações. Era uma separação belicosa em que os EUA mantiveram um embargo econômico que provocou muito sofrimento, morte e fome em Cuba, e um antagonismo que chegou a propiciar momento de risco de embate nuclear no mundo. Francisco intermediou o reatamento de relações diplomáticas e o caminho de fim do embargo. Por isso, significativamente, uma de suas primeiras falas em Havana foi: “essa abertura (que ora ocorre) é vitória da cultura do encontro”. É um bordão constante de Francisco: a cultura do encontro contra a globalização da indiferença, e ele faz valer o seu título de “Pontífice” (aquele que faz pontes).
Várias gerações de nós não acreditariam, poucos anos atrás, num reatamento entre EUA e Cuba. Na missa na Praça da Revolução, explica o porquê do encontro: para servir, principalmente, aos mais frágeis e sofridos. Repete Mahatma Gandhi: “quem não vive para servir não serve para viver”. E segue ensinando. Aos consagrados reitera: “Amem a pobreza como mãe”. Ensina também aos jovens: “um país que não dá oportunidade aos jovens não tem futuro. Nunca deixem de sonhar”.
Em Holguín, Francisco pede a todos nós “uma conversão de mentes e corações. Deixar que o olhar de Jesus, que nos escolhe para além de nossos pecados, nos devolva a alegria e esperança. Aos sacerdotes, e também para nós todos, lembra outra admoestação recorrente nele: “Não se cansem de perdoar!”. Na última missa em Cuba, apela a toda a Igreja: “Somos convidados a viver a revolução da ternura, como Maria… A nossa revolução passa pela ternura, pela alegria que sempre se faz proximidade. Queremos ser uma Igreja que se dispõe a fazer pontes, abater muros e semear reconciliação”. Nos seus encontros com Raul e Fidel Castro, Francisco deu exemplo disso.
Recebido por Barack Obama na Casa Branca, Francisco cita a Encíclica “Laudato si” para lembrar dos excluídos, pessoas negligenciadas, e também nossa casa comum: a Terra. “Esse grupo de excluídos que bate com força às portas de nossas casas, cidades e sociedade”, que exigem nossa responsabilidade.
Assim, nosso pastor vai exercendo seu múnus: profetizando, construindo pontes. Infelizmente, não tínhamos ainda acessado seu discurso na ONU. Seguramente, irá merecer uma outra coluna. Reflitamos o ensinamento e coloquemos em ação.









