O tempo é o senhor da emoção

“A graça do futebol é essa. O tempo sempre nos mostra que o show continua; o que muda são os personagens”


Por Nathan Marcelino, colaborador

25/06/2026 às 07h16

Quando eu tinha 13 anos, chorei ao ver o gol de falta de Cristiano Ronaldo contra a Espanha na primeira rodada da Copa do Mundo de 2018. Não consegui entender o porquê naquele momento, mas oito anos depois, vendo Messi e Cristiano bailando sua última dança, talvez tenha encontrado a resposta: no fundo, eu sabia que o tempo ia passar. E passou.

A Copa do Mundo da América do Norte é o encontro do passado, presente e futuro. Essa frase é clichê, eu sei. Mas, às vezes, o clichê é uma excelente síntese do que se sente. Ver Lionel Messi se tornar o maior artilheiro da história das Copas e ser perseguido gol a gol pelo francês Mbappé — que eu vi despertar como um menino prodígio —, me faz sentir velho.

Basta olhar para Cristiano Ronaldo. Aos 41 anos, se emociona como um garoto ao fazer um gol contra o Uzbequistão. Talvez seja um recado para o mundo: eu ainda estou aqui. Mas perdoem-me, fãs do robô, hoje quero falar de Lionel.

Se Messi disputou o protagonismo do futebol por anos com o Cristiano, no final da carreira, o argentino viu um novo rival despontar. É certo — pelo menos tudo indica — que o Mbappé em algum momento vai se tornar o maior artilheiro da história das Copas, mas aproveitemos o presente para apreciar a rivalidade entre o francês e o argentino, que se intensificou em 2022.

É engraçado pensar que, em 2014, quando a Argentina viu o sonho do Mundial cair por terra no Maracanã, o postulante a roubar o trono dividido por décadas entre Messi e Cristiano estudava para passar nas provas bimestrais.

Hoje, posso afirmar categoricamente que nunca haverá um atleta que mais me encante do que o maior artilheiro da história dos Mundiais, mas, muito provavelmente, algum menino sonhador também afirmou isso ao ver Pelé encantar o mundo em 70 ou Maradona em 86. A graça do futebol é essa. O tempo sempre nos mostra que o show continua; o que muda são os personagens.

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