O que é virtude e como é adquirida? Platão responde!

“A virtude é inata à alma e, portanto, não pode ser ensinada ou aprendida”


Por Erick Labanca Garcia, estudante de direito e escritor

16/04/2026 às 07h00

O que é a virtude? Ela é aprendida, ensinada ou é inata? São perguntas demasiadamente filosóficas, confesso. Ademais, são questões que há milênios foram respondidas pelo filósofo Platão.

Assim, destrinchar-se-á a virtude e como ela é apreendida utilizando o diálogo Mênon, de Platão. A obra é um debate entre Sócrates, filósofo grego e mestre de Platão, e Mênon, um jovem que possui dúvidas quanto à questão em discussão. Em um primeiro momento, ambos tentam definir o que é virtude, não chegando a um conceito propriamente dito, mas a caracterizam como algo bom e, sob outra ótica, o vício como algo mau.

Após intenso diálogo, tentam responder à questão se a virtude é aprendida, pode ser ensinada ou mesmo é algo inato ao ser humano. Nesse diapasão, Sócrates, ciente de sua própria ignorância e utilizando a maiêutica (técnica de diálogo para “parir” ideias, definida em outro diálogo de seu discípulo), rejeita as ideias de que a virtude é aprendida e pode ser ensinada.

Assim, o leitor é apresentado à Teoria da Reminiscência. Esta diz que a alma é imortal e está situada em um plano divino; todo homem e mulher possuem uma alma (psyché); a virtude é inata à alma e, sendo esta imortal, o bom ou o bem são apreendidos por um processo de reminiscência (lembrança) da própria psyché.

Por conseguinte, Platão também diferencia, por intermédio de Sócrates e o jovem aprendiz, o conhecimento da opinião correta. O primeiro é relembrado (em reminiscência) e pode ser ensinado e aprendido, enquanto a segunda se situa em um plano abaixo do conhecimento (episteme). Todavia, estando a opinião (doxa) correta, pode-se chegar à virtude, como uma espécie de intuição verdadeira.

Concluindo, o diálogo Mênon, de Platão, apesar de difícil compreensão (aterrorizando muitos iniciantes na filosofia) possui uma escrita poética, em um diálogo instigante, e responde uma questão central da vida e da filosofia: que a virtude é inata à alma e, portanto, não pode ser ensinada por um(a) virtuoso(a) ou aprendida. Apesar de o autor não chegar a uma conclusão explícita, deixando a cargo do leitor alcançá-la, é um clássico da filosofia e uma excelente porta de entrada para o pensar e o saber.

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