Fé e Caridade
“Aquele que não traz a essência da fé e busca auxiliar ao próximo, em geral acaba por mergulhar no desânimo ou na desesperança”
O apóstolo Tiago assim escreveu: “Tu tens a fé e eu tenho as obras. Mostra-me a tua fé e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras”. Fé sem obra é morta. Aquele que não traz a essência da fé e busca auxiliar ao próximo, em geral acaba por mergulhar no desânimo ou na desesperança. Tal é o sofrimento que testemunha, que acaba por se sentir pequeno, despreparado ou até mesmo desobrigado a tal tarefa.
A dor é constante, o sofrimento se espalha por todo o canto, e o homem sucumbe por não crer em nada que seja superior. Grandes catástrofes, como sofreu nossa cidade, despertam um tino de emergência de pronto socorro aos mais atingidos, porém a longa duração dos problemas consequentes exige um esforço bem maior que a vontade inicial. É necessário o amor ao próximo.
Como nos ensina o espírito Emmanuel, pela mediunidade de Chico Xavier, para começar a boa vontade basta, para prosseguir é necessário esforço. E o esforço aqui exigido é abastecido pelo combustível da fé, da certeza da presença dos emissários do Cristo, em meio à tragédia, trabalhando pelo bem comum através da boa vontade de muitos encarnados.
A caridade que não se movimenta nas boas obras de maneira continuada, zelosa e persistente é ornamento improdutivo. Como improdutivo é o discurso, a pregação doutrinária que não vai além das palavras, que apenas estimule o trabalho, mas de fato nada, nada produza de concreto em favor do bem comum.
Por menos que se tenha ou que nada possua, há sempre alguma coisa que possamos doar a alguém. Fazer o bem está muito além de um donativo material. Educação no convívio, respeito ao próximo, seja com quem for relacionar-se pacificamente a despeito dos pontos opostos. Todo o tempo, o tempo todo, temos enormes oportunidades de servir. Servir é uma parte da caminhada vitoriosa; a outra parte é a confiança em Deus. Aquele que serve ao próximo em ritmo constante e sem objetivo de compensação acumula em si uma grande força benéfica que como um moto contínuo alimenta a sua fé que se torna inabalável; assim vai agregando simpatias, aumentando cooperações de outras pessoas e segue ampliando os trabalhos para novas realizações.
Por mais perturbadores e inquietantes que se apresentem os caminhos da vida, não nos esqueçamos de que todo trabalho no bem será sempre instrumento de libertação de nossos medos e inseguranças. Fé que não se manifeste no entusiasmo do empenho cotidiano é morta, somente no trabalho é possível realizar a renovação para o progresso espiritual. Tal é a importância da conjunção fé e trabalho, que Allan Kardec incluiu no Evangelho Segundo o Espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”.
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