Casas batem de frente com o Brasil

“Os fatos nos mostram um Congresso despreparado, distante dos interesses populares, atuando não como representante do povo, mas de grupos restritos, e de interesses pessoais”


Por Paulo César de Oliveira, jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil

02/12/2025 às 06h19

Há algo de muito errado nesta terra descoberta por Cabral. Ulisses Guimarães -já citei sua fala algumas vezes neste espaço -, dizia que cada eleição a “representação popular” piora sua qualidade. Os fatos comprovam. O pior é que nunca chegamos ao fundo do poço. Nesta guerra do Parlamento- Senado e Câmara- contra o Executivo e o Judiciário- que não são “santos” também, é bom que se diga- quem sai perdendo é o Brasil e os brasileiros.

Nossa Constituição diz que todo poder emana do povo que o exerce através de seus representantes no Parlamento- Senado, Câmara, Assembleias estaduais e Câmaras municipais- eleitos em eleições livres e democráticas. As palavras são bonitas, mas, infelizmente, não correspondem à nossa realidade. O que vimos assistindo é bem distante disso. Os fatos nos mostram um Congresso despreparado, distante dos interesses populares, atuando não como representante do povo, mas de grupos restritos, e de interesses pessoais.

O comportamento desregrado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre- que o jornal O Estado de São Paulo, em artigo, chama de chantagista- no episódio da escolha do novo ministro do Supremo, mostra como anda o nível de nossos representantes. Prejudicar o povo, que deveria representar, colocando em votação pautas bombas que aumentam despesas, como vingança por não ter conseguido emplacar um amigo e protegido na vaga do Supremo, dá a dimensão do seu valor político. Mas, infelizmente, Alcolumbre é apenas um exemplo de mau político.

Há outros, muitos outros ocupando espaço no Congresso e em outras Casas Legislativas que só confirmam as previsões de Ulisses. Esta radicalização entre direita e esquerda, como se fossem mesmo preparados politicamente para um embate deste nível, vai nos levar ao caos. Sem que eles se preocupem, pois estão cuidando de seus interesses pessoais e de grupos. 2025 está terminando em crise. 2026, ano de eleição, não promete nada diferente. A não ser que que o eleitor queira mudanças.

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