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A importância da água: Congresso Brasileiro de Limnologia

Discutir o excesso ou a falta de água tornou-se estratégico para o planeta, já afetado por fenômenos climáticos cada vez mais intensos


Por Paulo Cesar Magella

17/07/2026 às 06h00

Os frequentes alertas de organizações que trabalham com o clima, especialmente para o recrudescimento do El Niño, precisam se desdobrar em discussões estratégicas para o que pode ser visto como o novo normal: chuvas mais intensas, secas prolongadas, frio em excesso e calor acima da média. Por conta disso, é louvável a iniciativa da Universidade Federal de Juiz de Fora, que, a partir do dia 20, será sede do 20º Congresso Brasileiro de Limnologia, ciência que estuda rios, lagos, reservatórios e áreas alagadas, com o objetivo de pensar estratégias para o uso da água.

Os recentes eventos climáticos mostraram que a instabilidade do clima já não é mais uma possibilidade, e sim um fato já em curso. Juiz de Fora viveu a tragédia de 23 de fevereiro, quando ocorreu uma inédita precipitação de 200mm em apenas quatro horas, algo impensável – inclusive pela ciência – há alguns anos. Hoje, como advertem os institutos, fenômenos de tal magnitude vão ocorrer com mais frequência.

O uso adequado da água é uma das metas dos cientistas por conta de sua importância. O Brasil, a despeito de ter um dos maiores reservatórios de água do planeta, já registra áreas de seca prolongada. Portanto as cidades e a população precisam participar desse projeto.

A falta, ou o excesso, de água é preocupante. O excesso, como foi visto em Juiz de Fora, leva a tragédias imediatas, afetando, sobretudo, as comunidades de áreas mais instáveis – a despeito de, no caso local, regiões consideradas seguras também terem sido atingidas.

Já a falta de água, uma realidade em várias partes do planeta, também tem consequências graves, sobretudo diante do crescimento da população e da nova e preocupante realidade: seu uso para resfriamento dos data centers da inteligência artificial. Atualmente, há 11.967 centros de dados em funcionamento em todo o mundo. Segundo o mapa interativo do Data Center Map, os EUA são o país com a maior quantidade, cerca de quatro mil. O Brasil tem 198 no momento. Um único centro de dados de grande porte utiliza aproximadamente 19 milhões de litros de água por dia apenas para refrigeração, o que equivale ao uso de uma cidade com entre dez mil e 50 mil habitantes.

Como tem sido reiteradamente apontado pela Tribuna, o lado perverso dessa questão é a insistência de governos em apostar em combustíveis fósseis, mesmo sabendo de suas consequências. Os projetos de energia limpa têm avançado, é fato, mas ainda são tímidos diante da demanda global e da sua importância para o planeta.

Espera-se que o 20º Congresso Brasileiro de Limnologia apresente dados para o convencimento dos segmentos público e privado sobre a importância do debate climático, já que se trata de uma demanda coletiva.