O exemplo de Itamar Franco

“Apurar a verdade é obrigação do governo”


Por Paulo César de Oliveira*

23/06/2026 às 08h00

As acusações contra o senador Jacques Wagner, petista histórico, não são novidade na política brasileira. Verdadeiras ou falsas denúncias contra figuras de expressão, de situação e de oposição surgem e, queiram ou não, deixam marcas e suspeitas que precisam ser apuradas. O acusado, por mais absurda que seja a denúncia, precisa provar sua improcedência. E o melhor a fazer é se afastar do cargo ou função que exerça no governo ou no grupo político, seja para provar sua inocência ou admitir sua culpa.

Em casos assim, o acusado de atos de práticas ilegais precisa entender que o outro lado político, a oposição não tem interesse direto na sua punição. Quer usar a acusação contra ele para atingir o seu grupo, ainda mais se o grupo no poder. E mais ainda se já estiver enfrentando acusações semelhantes por práticas de um de seus membros. Afastar para apurar e, nada havendo reconduzir o acusado ao cargo.

Esta é a atitude correta, ensinada pelo saudoso presidente Itamar Franco. Já se vão alguns anos da lição, mas a atitude correta é atemporal. Itamar Franco era o presidente e assumiu depois que Fernando Collor saiu por impeachment. O então ministro da Casa Civil, Henrique Hargreaves – que era amigo pessoal de Itamar- foi acusado de alguma irregularidade que não ficou bem para o governo e ele disse a Itamar que não era verdade.

No entanto, Itamar fez que deixasse o cargo e mandou que se justificasse e não sendo verdade retornaria ao ministério. Hargreaves saiu em campo e mostrou a Itamar, comprovadamente, que as acusações eram falsas. Itamar o renomeou para ministro da Casa Civil.

Afora, o senador Jacques Wagner- amigo pessoal de Lula – líder do governo no Senado está sendo acusado de envolvimento com Vorcaro. Para não deixar mal o governo e o seu amigo Lula, deve deixar a liderança do governo e provar que não são verdadeiras as acusações. Tudo isto a oposição já está usando para atrapalhar o governo. A oposição precisa de alguém para acusar de envolvimento em corrupção do Master para minimizar as acusações- que muitos consideram já provadas – contra Flávio Bolsonaro.

Apurar a verdade é obrigação do governo. Provar inocência – se é mesmo – é a obrigação de Jacques. Apenas se apresentar como vestal da moralidade não adianta nada.

*00 – jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil