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Infertilidade: os riscos de consultar o Dr. Google

“Estudos recentes revelam que o Google é fonte frequente de pesquisas sobre o assunto”


Por Márcia Mendonça Carneiro*

12/07/2026 às 08h00

A infertilidade conjugal afeta uma em cada seis pessoas, e estudos recentes revelam que o Google é fonte frequente de pesquisas sobre o assunto. O Google, as mídias sociais como o Instagram e, mais recentemente, a Inteligência Artificial (IA) têm sido frequentemente utilizados como fonte de informação médica pela população. Infelizmente, a qualidade da informação médica disponível nesses meios é sofrível e pouco confiável.

No último Congresso Brasileiro de Ginecologia, que aconteceu em Belo Horizonte no fim de maio, apresentamos um estudo sobre a confiabilidade do Google para responder perguntas sobre infertilidade. A ferramenta Answer the Public selecionou as duas perguntas mais frequentes: “como saber se se tenho infertilidade?” e “qual exame pode detectar infertilidade?”.

Embora profissionais de saúde e clínicas de fertilidade sejam responsáveis ​​pela maior parte do conteúdo educativo sobre infertilidade publicado no Google, a confiabilidade dessas informações, medida pelo instrumento Discern é de qualidade moderada. O objetivo e a relevância foram claramente declarados, mas questões importantes, como a fonte de informação utilizada ou detalhes sobre fontes adicionais de apoio e informação, não estavam disponíveis e, pior ainda, não forneceram informações suficientes sobre possíveis áreas de incerteza.

As mídias sociais também requerem cuidado. Em outro estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, em 2025, em São Paulo, avaliamos a qualidade da informação divulgada por influenciadores no Instagram. Embora a maioria dos influenciadores de fertilidade no Brasil atuem como profissionais da saúde, as informações que eles compartilhavam careciam de qualidade e confiabilidade, além de serem tendenciosas e omitirem incertezas e referências científicas.

A IA é outro campo que precisa ser avaliado. Estudamos a qualidade da informação produzida pelo Chat GPT sobre o uso de procedimentos utilizados para melhorar as chances de gravidez na fertilização in vitro (FIV). A ferramenta teve um desempenho razoável ao fornecer informações sobre a confiabilidade e a qualidade dos procedimentos. Como trata-se de tema controverso para o qual os pacientes frequentemente buscam informações precisas e confiáveis, eles devem estar cientes de que, embora o Chat GPT seja uma ferramenta em constante desenvolvimento, ele não é confiável para orientar suas decisões sobre tratamentos adicionais em ciclos de FIV.

Dada a complexidade dos diagnósticos e tratamentos de infertilidade e a facilidade de acesso à internet, IA e mídias sociais para buscar orientações sobre fertilidade, é necessário cuidado com as informações. Em um contexto em que o acesso a serviços de fertilidade e avaliações especializadas é limitado, a exposição a informações equivocadas contribui para piorar o estresse associado à infertilidade e compromete o direito humano fundamental estabelecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de engravidar e ter um filho, bem como o direito de ter acesso a informações sobre sua saúde reprodutiva.

*Márcia Mendonça Carneiro é ginecologista do Biocor Rede D’Or e professora da Faculdade de Medicina da UFMG

 

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