Aonde vamos chegar?
“Voto não se vende. Voto não é para homenagear ídolos”
Realmente a situação dos Poderes constituídos no Brasil não está das melhores. Pior, não se enxerga uma solução para nenhum deles. O Supremo Tribunal Federal, antes inatacável, está em sua fase de maior desgaste junto à população por atitudes dos seus integrantes, como Alexandre de Moraes, cuja mulher advogada mantinha (ou ainda mantém?) um contrato bilionário com o Banco Master. Além de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes sofrem críticas por relacionamentos muito próximos com Vorcaro.
As inúmeras denúncias e críticas aos ministros precisam ser levadas a sério sim, mas com o devido cuidado, pois surgem em um momento de radicalização política no país em que o STF teve um papel de destaque, com julgamentos e condenações de políticos e cidadãos comuns envolvidos em tramas de toda ordem. Os ministros feriram interesses sim, mas nem por isso as denúncias contra eles, e contra outros membros do Judiciário, podem se perder nos escaninhos da impunidade.
Falando em impunidade, o país não pode se esquecer dos crimes de que são acusados alguns – não poucos- com provas bem robustas e que, em raríssimas ocasiões são julgados, protegidos pelos próprios companheiros. Não podemos nos esquecer também da proteção dada a eles pelo eleitor que diariamente está acusando os políticos de corrupção e que, chegando às urnas, desce de seu tijolinho, esquece seu discurso e, pelo voto, reconduz ao Congresso os mesmos políticos que critica.
É a impunidade pela irresponsabilidade. Um problema que atinge também o Executivo, onde nem sempre – ou quase nunca, como queiram – os eleitores colocam os melhores nomes, fazendo escolhas baseadas em bravatas e falsas promessas de combate à corrupção. Já assistimos vários casos assim no país.
Infelizmente, esta é uma realidade do Brasil de hoje, agravada pela irresponsabilidade que a radicalização política provoca, com denúncias vazias que nunca chegam a ser comprovadas. Mas é uma situação grave sim, que precisa ser enfrentada. No caso do Judiciário, com a criação de um código de ética que impeça “escorregadas” de ministros e familiares sem que, no entanto, o familiar seja simplesmente impedido de exercer sua atividade profissional, penalizar alguém por ser parente do ministro.
Nos outros dois Poderes, além de códigos de ética e leis severas contra corrupção e outros deslizes, aplicadas com rapidez e independência, a solução passa pelo eleitor, que precisa de mais seriedade em suas escolhas. Voto não se vende. Voto não é para homenagear ídolos. Lembrem-se: o voto interfere em sua vida.
*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil









