Juiz de Fora é a décima cidade de Minas Gerais com melhor qualidade de vida
No ranking nacional, município ocupou o 94° lugar; Saúde básica e inclusão social aparecem entre os principais desafios
Juiz de Fora registrou 68,95 pontos no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, alcançando a 94ª colocação entre os 5.570 municípios avaliados no país. O desempenho coloca a cidade em posição de destaque no cenário nacional e também entre os municípios com faixa semelhante de PIB per capita, estimado em R$ 40.990,66. Em Minas Gerais, Juiz de Fora ocupa a 10ª posição com melhor qualidade de vida entre 853 cidades analisadas.
Os dados detalhados do levantamento revelam um cenário marcado por contrastes. Enquanto áreas como educação, conectividade e moradia apresentam indicadores elevados, setores ligados à saúde básica e à inclusão social ainda expõem desafios significativos para a cidade.
O acesso ao ensino superior aparece como um dos pontos fortes da cidade. Segundo o IPS, Juiz de Fora se destaca pelo percentual de moradores com formação universitária completa. Na área de Direitos Individuais, o município ocupa a 49ª posição nacional, com indicadores relacionados ao acesso à Justiça e à resposta em processos familiares considerados positivos.
Dados negativos
Apesar do desempenho favorável em alguns setores, o levantamento aponta fragilidades importantes na saúde pública básica. No componente Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, a cidade registrou 69,17 pontos, desempenho classificado como relativamente fraco quando comparado a municípios com perfil econômico semelhante.
Os dados que mais preocupam estão relacionados à cobertura vacinal contra a poliomielite, às hospitalizações por condições sensíveis, à atenção primária e aos índices de subnutrição. Para o IPS, os números sugerem dificuldades no sistema preventivo de saúde e na atenção básica oferecida à população.
Outro ponto crítico revelado pelo levantamento é a dimensão de Inclusão Social. Nesse indicador, Juiz de Fora obteve apenas 38,35 pontos e aparece na 5.274ª posição do ranking nacional, um dos desempenhos mais baixos entre os componentes analisados.
Entre os principais desafios apontados estão o crescimento da população em situação de rua, considerado muito acima da média para cidades do mesmo porte, além da baixa representatividade de mulheres e pessoas negras na Câmara Municipal. O estudo também chama atenção para indicadores negativos relacionados à violência contra mulheres e contra a população negra.
Sobre o índice
O índice leva em conta 57 indicadores sociais e revela que a qualidade de vida no Brasil é marcada por desigualdades persistentes. Entre as 20 cidades com melhores índices, 13 estão no Sudeste, sendo 12 no Estado de São Paulo e 1 em Minas Gerais, com Nova Lima. Já entre as 20 piores, 17 estão na região Norte, sendo 10 no Pará. As outras três estão em Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste), Maranhão (Nordeste) e Minas Gerais (Sudeste).
O índice é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Imazon, Fundação Avina, iniciativa Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, sendo baseado exclusivamente em dados públicos e atualizado anualmente. A ferramenta permite acompanhar tendências e apoiar o planejamento, a avaliação de políticas públicas e o direcionamento de investimentos sociais.
O melhor município
Com população estimada em 4.806 pessoas, Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, é a cidade com melhor qualidade de vida do país. O município surgiu de um assentamento rural e abrigou uma colônia de imigrantes que fugiram da Revolução Russa de 1917. A cidade ganhou impulso com a chegada da Embraer, uma das principais fabricantes de aviões do mundo, em 2001.
O município está entre São Carlos e Araraquara, dois polos educacionais e tecnológicos do interior paulista. “O reconhecimento nacional reforça o compromisso com políticas públicas eficientes, humanas e voltadas ao bem-estar da população”, diz o prefeito Adriano Marçal (PSD).
Confira as cidades que ocupam as 10 primeiras posições:
- Gavião Peixoto (SP) – 73.1
- Jundiaí (SP) – 71.8
- Osvaldo Cruz (SP) – 71.76
- Pompéia (SP) – 71.76
- Fernando de Noronha (PE) – 71.75
- Curitiba (PR) – 71.29
- Nova Lima (MG) – 71.22
- Gabriel Monteiro (SP) – 71.16
- Cornélio Procópio (PR) – 71.16
- Luzerna (SC) – 71.1









