Autonomia estratégica já: Minas e o Brasil não podem ser reféns de um país
“Minas Gerais deve ocupar um papel de protagonismo internacional, com inteligência diplomática, diversificação comercial e responsabilidade geopolítica”
A recente decisão dos Estados Unidos de impor tarifas a produtos brasileiros expôs uma vulnerabilidade crítica: a dependência excessiva de um único parceiro comercial. Minas Gerais, com uma economia vocacionada à exportação, é diretamente afetada. O estado exporta muitos dos produtos atingidos (café, aço, carne e madeira) e precisa urgentemente diversificar seus mercados. Apesar disso, o governador Romeu Zema tem adotado uma postura ideológica e míope, desprezando oportunidades concretas, como a abertura do mercado chinês ao café mineiro.
Enquanto os EUA taxam o café brasileiro em 50%, a China habilita 183 empresas para exportação do produto, incluindo empresas mineiras. Só em 2024, os países do BRICS foram responsáveis por 42% das exportações mineiras, um total de US$ 17,6 bilhões. A China sozinha comprou US$ 10 bilhões em minério de ferro. Mas, em vez de reconhecer o potencial desses parceiros, Zema prefere atacar o BRICS e defender pautas alinhadas ao isolacionismo norte-americano, colocando em risco negociações estratégicas que envolvem até financiamentos em andamento com o Novo Banco de Desenvolvimento (atualmente presidido por Dilma Rousseff, e com o qual o governo de Minas negocia US$ 200 milhões via BDMG).
Esse comportamento revela não apenas despreparo, mas uma visão de política externa colonizada e contrária à soberania nacional. Em um mundo que caminha para a autonomia estratégica, Minas não pode ser conduzida por impulsos ideológicos nem por vaidades políticas buscando agradar um eleitorado bolsonarista com palavras de ordem sem conteúdo ou consequência prática.
A guerra na Ucrânia já levou a Europa a repensar sua dependência. O Brasil precisa fazer o mesmo, inclusive no sistema financeiro, onde inovações como o Pix demonstram o valor de soluções nacionais. Ele é uma ferramenta nacional, rápida, segura e gratuita. Trump acabou chamando atenção do mundo para esta possibilidade ao usar o Pix como argumento para a taxação que impôs ao Brasil.
Minas Gerais deve ocupar um papel de protagonismo internacional, com inteligência diplomática, diversificação comercial e responsabilidade geopolítica. O futuro depende das pontes que construímos, não dos muros ideológicos que nos isolam.
Esse espaço é para a livre circulação de ideias e a Tribuna respeita a pluralidade de opiniões. Os artigos para essa seção serão recebidos por e-mail ([email protected]) e devem ter, no máximo, 30 linhas (de 70 caracteres) com identificação do autor e telefone de contato. O envio da foto é facultativo e pode ser feito pelo mesmo endereço de e-mail.









