Herdeiros
“Mesmo com todos os atropelos na jornada dos homens, Deus nos renova diariamente as oportunidades de melhoria”
Paulo, o Apóstolo, em sua Carta aos Romanos, afirma instruindo: “E se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo…” (Romanos 8:17). A partir dessa assertiva é de se estranhar que muitas escolas religiosas, por intermédio de seus expositores, proclamem o homem à condição de pecador original passivo de penas eternas.
É de fato incontestável que o ser humano na condição de aluno aprendiz, em seus primeiros passos diante da Sabedoria Divina, venha cometendo falhas ao longo das existências. Mas, não obstante, é indispensável relembrar que mesmo com todos os atropelos na jornada dos homens, Deus nos renova diariamente as oportunidades de melhoria.
Em sua epístola aos romanos, Paulo refere-se aos homens como herdeiros de Deus e coerdeiros de Jesus. Tamanha verdade vinda do grande Apóstolo nos enche de esperança, aplacando os medos e culpas impingidas pela sombra do pecado eterno. Deixamos de nos sentir desventurados e inúteis para a condição de passivos de renovação e aprimoramento, não mais criaturas medievalmente pecadoras.
Como filhos de Deus: “A inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. Todo ser humano traz consigo a Centelha Divina, que é a mediunidade, a capacidade de comunicarmos com o Criador. E Ele, com sua justiça fundamentada no amor, nos torna capazes de vivermos em absoluta liberdade que vem irmanada à responsabilidade, através das leis naturais contidas no livre arbítrio. Sendo livres para escolher os passos da caminhada, somos igualmente responsáveis pelos resultados e suas consequências.
Allan Kardec enfatiza que a liberdade não é um privilégio, é sim um processo contínuo e inesgotável, em que cada espírito evolui progressivamente dentro de sua capacidade de aprendizado e compreensão, se aproximando dia a dia da Perfeição divina. É nesse sentido que cada ser humano é herdeiro de Deus e coerdeiro de Jesus Cristo e muito mais que descendência simbólica, é a responsabilidade cristã de seguir os passos do Mestre Jesus de Nazaré, cultivando os valores por Ele ensinados.
Essa herança espiritual torna-se, de fato, um compromisso para transformar a própria vida íntima, e com o exemplo que desse esforço resulta, pode-se influenciar positivamente o meio no qual se vive, possibilitando a melhor prática do livre arbítrio, contribuindo para uma sociedade mais equilibrada.
A Doutrina Espírita nos ensina que, independente de qualquer traço aparente, todo ser humano caminha, segundo a sua capacidade individual e cada passo representa uma oportunidade de aprimoramento. Entendendo a eternidade do Espírito, se torna possível transcender os níveis de preconceitos, compreender e evitar as desigualdades terrenas e o imediatismo materialista, alicerçados pelos ensinos de Jesus, cujo cerne aponta para o verdadeiro valor do ser humano, que se encontra em suas qualidades espirituais a serem descobertas e conquistadas por esforço próprio e individual, buscando com suas atitudes cada vez mais dignas de merecer a chancela de filho de Deus e coerdeiro de Jesus Cristo.
*Iriê Salomão de Campos – Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”
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