Como acabar com a violência feminina?
“A violência e a insegurança viraram tema de palanque político”
Hoje vou sair deste “nhenhenhém” da política menor para falar sobre um problema que deveria estar preocupando os políticos, aqueles que realmente se preocupam com a representação popular e que, infelizmente, são poucos neste triste momento de nossa vida política.
Falo da violência que vem apavorando a todos nós. E se isto serve de consolo, não apenas a nós brasileiros. A violência, notadamente contra as mulheres, se tornou uma “emergência global”, alertou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.
Uma violência que não é apenas física, mas também moral. Uma violência que nos impede de sair à rua, de usar um bem – telefone em especial- em locais públicos, de desfrutar a vida em locais públicos, enfim, uma violência que restringe o direito de bem viver e até mesmo de trabalhar.
É preciso agir. A sociedade precisa cobrar dos políticos – e não se esqueçam de que este é um ano eleitoral – ações efetivas, debates sérios e abertos que permitam a criação de políticas públicas efetivas, capazes de promover mudanças estruturais na sociedade.
Só teremos chances de combater a violência que nos tolhe, nos atrapalha a vida, se tratarmos o problema com seriedade e buscarmos soluções efetivas, no limite do possível. De nada adianta medidas demagógicas, como a adotada recentemente na Argentina, que reduziu de 16 para 14 anos a maioridade penal. Certamente não reduzirá a criminalidade. Vai apenas baixar a idade média de seus detentos.
Estamos correndo o risco de assistirmos no país, a aprovação de medidas demagógicas na área de segurança pública. A violência e a insegurança viraram tema de palanque político e perigo é de, na busca dos votos, nossos políticos aprovem agora medidas demagógicas, como a adotada na Argentina ou de aumento indiscriminado de penas, medida que, segundo especialistas, não inibe o criminoso.
É preciso corrigir muita coisa para que a violência não possa progredir. A instrumentalização e a valorização das forças policiais é um caminho, mas não haverá avanços se o Judiciário não for ágil e julgar em tempo hábil, conforme preceitua os normativos legais. Políticas sociais eficazes também contribuem para a diminuição da violência. “O Estado falha quando a criminalidade oferece uma opção de vida mais atrativa do que o caminho da lisura”, diz Gustavo Chalfun, presidente da OAB/MG. Mas não se iludam, acabar com a violência não vamos conseguir. Ela é inerente ao ser humano e cada um tem seu limite.
*03 é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil
Tópicos: Paulo César de Oliveira*