A crise indefensável do STF
“O desgaste do Supremo Tribunal Federal, em especial, tende a aumentar”
Nos meus sessenta anos acompanhando a vida pública brasileira, acredito que nunca tenha visto antes uma crise como a que o STF passa no momento. O ministro Alexandre de Morais tem adotado atitudes como se fosse o dono absoluto do país. Outros ministros sob suspeita de envolvimento em práticas ilegais.
O presidente do STF, Édson Fachin, para conter esta onda de desmoralização do Supremo quis adotar um código de casa, mas foi, pelo menos por enquanto, voto vencido. Um ministro do STF, e de outros tribunais também, reconheçamos, até bem pouco tempo era figura inatacável, por seus conhecimentos jurídicos, seu comportamento profissional e lisura na vida pessoal. Hoje estão todos expostos a críticas e denúncias que envergonham ex-ministros, como o mineiro Carlos Mário Veloso.
O desgaste do Supremo Tribunal Federal, em especial, tende a aumentar. Ele está no centro da crise política brasileira e é alvo das correntes em disputa, especialmente do grupo da direita, inconformado com a condenação e prisão do ex-presidente Bolsonaro. Desmoralizar o STF é parte da estratégia para reabilitar a imagem do ex-presidente e fazer aprovar a anistia que se justificaria por ter sido ele “vítima de um tribunal sem moral”.
A expectativa fica para o comportamento futuro deste grupo, caso o Superior Tribunal Militar decida também punir o ex-presidente e seus aliados, expulsando-os das Forças Armadas. O grupo partirá com a mesma virulência para cima do STM?
Faço esta reflexão não como forma de aliviar a tensão e contestar as acusações sobre os ministros do STF. Há acusações graves que precisam ser apuradas. Há limites a serem impostos no comportamento de ministros de todos os tribunais, assim como é preciso impor limites no comportamento de parlamentares e membros do Executivo. Enfim, precisamos reorganizar o país. Se os que estão aí hoje, em postos de comando têm capacidade para isto, não sei. Assim como não sei como mudaremos o país se não mudarmos o eleitor.
*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil
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