Lula ainda é nome viável

“O recente episódio do IOF é um bom exemplo de como se faz política hoje no Brasil”


Por Paulo César de Oliveira*

01/07/2025 às 08h00

As pesquisas mostram que, apesar de todos os seus erros, Lula ainda é um nome viável politicamente. O Lula 3, convenhamos, é outro Lula, incapaz mesmo de atingir as massas com seu discurso que sempre foi populista, é verdade, mas agora está sem sentido, incapaz de empolgar as massas, o que, vamos reconhecer, sempre foi o seu forte. E, sem as massas, Lula virou refém fácil de um Congresso de baixa qualidade que não compreende a importância do Legislativo e vive de arranjos.

O esvaziamento político de Lula, se analisarmos friamente, coincide com o que podemos chamar, sem estarmos exagerando, o fim do PT. O partido sustentava o discurso de Lula, brigava por seus projetos e dava peso político ao presidente, embora muitos discordassem dos posicionamentos do petista. Hoje, falta ao presidente esta sustentação política. O Congresso – tanto Câmara, quanto Senado- não tem escopo. Fragmentado, sem consistência ideológica, joga o jogo da hora, sem preocupações com o futuro do país. Comportamento agravado pelo radicalismo em defesa não de ideias, mas de projetos pessoais.

O recente episódio do IOF é um bom exemplo de como se faz política hoje no Brasil. De um lado, o governo busca solucionar suas finanças pelo velho caminho do aumento de impostos. De outro, o Congresso faz o jogo das elites dominantes e simplesmente se recusa a discutir a medida, tratando de vetá-la. Com isto, atendeu os interesses dominantes e fez campanha visando 2026. E fica à espera do governo judicializar a questão para fazer política com a medida.

Judicializar o veto, queiram ou não, é um direito do governo que se baseia na Constituição. Constituição escrita pelo Legislativo. O recurso, se acontecer, não será uma agressão ao Congresso, como querem apregoar alguns de seus membros, mas a busca de um debate sobre o tema, o que os parlamentares foram incapazes de fazer. E esta briga entre Executivo e Legislativo, envolvendo também o Judiciário, só tende a se radicalizar na medida em que nos aproximamos das eleições.

Lula, ao que parece, será mesmo candidato, até por falta de opção na esquerda. Já a chamada direita ainda não convergiu para um nome. Os governadores Zema, de Minas; Caiado, de Goiás; Ratinho Júnior, do Paraná, e Tarcísio de Freitas, de São Paulo são os nomes falados pelo grupo que, com mais ou menos desenvoltura começam a se articular, considerando que o principal nome do grupo, Jair Bolsonaro, está inelegível e corre o risco de estar na cadeia nas eleições.

* Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil

 

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