Leão XIV: sem medo de lutar pela Paz
“Leão não hesita em denunciar quem usa o poder para oprimir e matar”
Nesse tempo de guerras que ceifam dezenas de milhares de vidas, em sua maioria vítimas civis, o Papa levanta sua voz para dizer ao mundo que não tem medo de anunciar o Evangelho da paz. Pastor por vocação confirmada por sua eleição, ele tem sido a principal voz de alcance mundial a condenar as operações militares dos EUA, da Rússia e de Israel, que, alegando razões de segurança nacional, provocam terríveis destruições entre as populações alvo de seus mísseis, drones e bombardeiros.
Com prudência e sabedoria, mas sem perder a firmeza, Leão XIV se coloca contra essa violência apontando caminhos para que o mundo busque a paz com justiça. Suas palavras são diretas: “Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.
Retomando, com vigor, a expressão com que inaugurou seu pontificado – “uma paz desarmada e dasarmante” – Leão não hesita em denunciar quem usa o poder para oprimir e matar. Contra essa tirania, invoca o Evangelho que anuncia uma paz que é fruto do amor e da justiça, que privilegia o bem comum, que traz a possibilidade de vida para todos, sobretudo para as populações mais vulneráveis. Paz que precisa ser construída artesanalmente na medida em que os poderosos se tornem servidores dos fracos.
Essa atitude de Leão XIV incomoda quem submete a religião a interesses militares, econômicos ou políticos, revestindo-os com uma aura de sacralidade, alegando que a guerra pode ser “justa” quando feita em defesa da fé. Foi o que aconteceu há poucos dias, quando comandantes militares do Pentágono chamaram o Núncio Apostólico – representante do Papa nos EUA – para que ele convencesse o Papa a mudar sua atitude. Mas essa pressão governamental teve efeito contrário: mostrou que, longe de basear-se numa opinião pessoal, a atitude de Leão XIV representa a atitude da Igreja Católica Romana como tal.
O espantoso é que ainda hoje haja quem se diga católico e justifique a guerra como justa, apoiando-se em algum trecho do Primeiro Testamento, como fazem certas Igrejas Evangélicas. Essa interpretação literal das Escrituras foi rejeitada por Pio XII, em 1943, rejeição reforçada pela Constituição Dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II, que recomenda submeter o texto bíblico ao estudo hermenêutico para ser corretamente interpretado. Por isso, quem invoca a Palavra de Deus para justificar a guerra comete blasfêmia. Daí o inusitado confronto entre o Papa e o atual presidente estadunidense, quebrando a praxe da Santa Sé, de não mencionar quem é repreendido.
Neste momento, Leão XIV assume a liderança moral internacional, como uma voz de humanidade, solidariedade e fraternidade entre as religiões, uma voz de diálogo e respeito pelas pessoas — especialmente as mais vulneráveis — e de cooperação multilateral entre as nações. E nós, leigas e leigos católicos, estreitamos nossa união a esse Papa que representa hoje a voz de quem teve sua voz calada pelos poderosos deste mundo.
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