Morte suspeita por hepatite A é investigada em Juiz de Fora
Com 729 casos confirmados, cidade investiga possível morte pela doença e amplia vacinação para conter avanço
Em meio a mais de 700 casos confirmados de hepatite A em Juiz de Fora, autoridades investigam a morte de uma mulher de 60 anos, que poderia ter sido causada pela doença. A Subsecretaria de Vigilância em Saúde examina, no momento, o prontuário médico e o histórico da paciente, que estava internada em uma instituição hospitalar da cidade.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que acompanha o caso, mas que até o momento, a causa da morte ainda é indeterminada. Além disso, segundo a pasta estadual, Juiz de Fora concentra mais de 70% dos registros de hepatite no estado.
Dados atualizados da Secretaria de Saúde do município indicam que ao menos 114 novas ocorrências foram registradas entre 22 de abril e a manhã deste sábado (2), elevando o total para 729 casos na cidade. A Tribuna já havia noticiado o avanço da doença, que cresce mês a mês e apresenta uma curva acentuada em comparação a 2025, quando foram contabilizados apenas 36 casos ao longo de todo o ano.
Transmissão da hepatite A
A transmissão da doença, pela via fecal-oral, sobretudo por meio da ingestão de água e alimentos contaminados, ajuda a explicar o avanço dos casos. Entre os fatores associados estão os alagamentos e deslizamentos de terra que atingiram a cidade no fim de fevereiro. Ainda assim, a disseminação da hepatite A também está diretamente relacionada às condições de saneamento básico e higiene, bem como a relação sexual desprotegida.
A ampliação da vacinação tem sido adotada pelo Município como estratégia para conter a disseminação da doença. Além do uso do vacimóvel, o público-alvo foi expandido: além das crianças de 15 meses a menores de 5 anos não vacinadas, já contempladas pelo calendário regular, a imunização passou a abranger gestantes, pessoas com doenças hepáticas, indivíduos imunossuprimidos e usuários da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV. Também estão incluídos não vacinados de 11 a 39 anos que sejam contatos domiciliares de casos confirmados, bem como contatos sexuais desses casos, independentemente da idade.
O estado já enviou 10 mil doses da vacina ao município, além de insumos como hipoclorito de sódio, utilizado na desinfecção da água.
Sintomas
O tratamento das hepatites agudas é baseado no controle dos sintomas e na proteção do fígado. Na maioria dos casos, especialmente na hepatite A, a doença é autolimitada e evolui para cura espontânea. Diante de sintomas como febre, mal-estar, náuseas, dor abdominal ou coloração amarelada da pele e dos olhos, procure uma unidade de saúde para avaliação.









