Homem que usava símbolos religiosos para construir vínculo de confiança com as vítimas é preso por estupro

Suspeito, que possui registro CAC, foi preso em imóvel apontado como local do crime; polícia apura possibilidade de mais vítimas


Por Pâmela Costa

26/05/2026 às 08h50

Por trás da imagem associada à religiosidade e à moralidade, segundo a Polícia Civil (PCMG), um homem de 35 anos, dono de um comércio de estética automotiva, se tornou suspeito de usar o próprio estabelecimento, localizado no Bairro Alterosa, em Muriaé, cidade da Zona da Mata distante cerca de 160 quilômetros de Juiz de Fora, para cometer estupro. Ele foi preso preventivamente nesta segunda-feira (25), durante uma operação da PCMG.

Segundo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), responsável pelo caso, o homem utilizava uma imagem atrelada à religiosidade para facilitar a aproximação com as vítimas. Embora o caso esteja em sigilo, a Polícia Civil destacou que não descarta a existência de outras vítimas e orienta que novas denúncias sejam registradas.

“A Polícia Civil atua de forma técnica e sensível em investigações dessa natureza, priorizando o acolhimento humanizado e a proteção. A deflagração da operação também busca encorajar outras possíveis vítimas a romperem o silêncio e procurarem o Estado”, destacou Nathalia Magalhães, delegada responsável pelo caso, sobre os canais de denúncias e atendimento especializado á vitima. 

Homem que usava símbolos religiosos para construir vínculo de confiança com as vítimas é preso por estupro
Foto: Polícia Civil/Divulgação

O imóvel onde o homem morava, local em que também funcionava o comércio de estética automotiva, foi apontado pela investigação como a cena do crime. Neste espaço, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. A polícia recolheu dispositivos eletrônicos e uma arma de fogo registrada em nome do investigado, que possuía registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Também foi realizada a coleta de material genético para exames periciais. Após os procedimentos, o homem foi encaminhado ao sistema prisional.

A operação recebeu o nome de Voz de Tamar em referência à personagem bíblica Tamar, associada ao sofrimento imposto às vítimas de violência sexual. De acordo com a equipe responsável pelos trabalhos, a denominação faz alusão à importância do acolhimento, da escuta qualificada e do rompimento do silêncio em casos cometidos mediante manipulação emocional e abuso de autoridade moral. 

Homem que usava símbolos religiosos para construir vínculo de confiança com as vítimas é preso por estupro
Foto: Polícia Civil/Divulgação

Em caso de violência, denuncie

Em caso de violência contra a mulher, denúncias podem ser feitas pelo 190, em situações de emergência, ou pelo 180, na Central de Atendimento à Mulher. Também é possível acionar o Disque-Denúncia Unificado (181) ou registrar a ocorrência pelo aplicativo MG Mulher. As vítimas ainda podem procurar Delegacias da Polícia Civil ou unidades da Polícia Militar de Minas Gerais. Em casos como ameaça, lesão corporal, vias de fato e descumprimento de medida protetiva, o registro também pode ser feito pela Delegacia Virtual.