Explosão de banco em Guidoval: suspeitos podem estar ligados ao Comando Vermelho e planejavam ataques a cidades da região

Boletim de ocorrência também aponta que disparos foram feitos contra moradores durante a ação


Por Pedro Moysés

11/04/2026 às 13h02- Atualizada 11/04/2026 às 13h24

Explosão de banco em Guidoval: suspeitos podem estar ligados ao Comando Vermelho e planejavam ataques a cidades da região
(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O ataque a agência do Banco do Brasil em Guidoval, cidade com cerca de sete mil habitantes na Zona da Mata mineira, teria sido planejado por integrantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho, segundo informações registradas no boletim de ocorrência da Polícia Militar ao qual a Tribuna de Minas teve acesso.

De acordo com o documento, os três suspeitos presos são moradores de Rodeiro, na Zona da Mata, e teriam participado da ação. Durante as diligências, policiais também obtiveram relatos de que indivíduos oriundos de Juiz de Fora, ligados à mesma facção criminosa, estariam planejando roubos a caixas eletrônicos em cidades da região de Ubá.

A ocorrência teve início após equipes serem acionadas para verificar uma explosão em uma agência bancária durante a madrugada. Conforme o registro, uma Fiorino branca chegou ao local e homens armados desembarcaram para executar o crime. Minutos depois, houve a explosão. Em seguida, os suspeitos entraram na agência e fugiram levando um malote com moedas.

Durante os primeiros levantamentos, policiais receberam a informação de que havia um veículo em chamas bloqueando uma via de acesso, além de objetos perfurantes, conhecidos como “miguelitos”, espalhados pela pista para dificultar a chegada das equipes ao local do crime.

Disparos contra moradores

O boletim também aponta que os suspeitos foram presos em flagrante também pela tentativa de homicídio, uma vez que durante a ação, efetuaram disparos de arma de fogo na direção de moradores que estavam em janelas e sacadas de imóveis próximos.

A perícia recolheu oito cápsulas de munição calibre 9 mm no local.

Suspeito ferido na explosão

Durante as diligências, policiais identificaram que um dos envolvidos apresentava lesão no ombro causada por estilhaços da explosão. A suspeita surgiu após a polícia encontrar manchas de sangue na área do crime e analisar imagens que circularam nas redes sociais.

O homem relatou aos policiais que participou do deslocamento até a agência e confirmou ter sido atingido por fragmentos no momento da detonação.

Suspeito tentou fugir e resistiu à prisão

O boletim de ocorrência também aponta que um dos suspeitos, de 33 anos, tentou fugir e resistiu à abordagem policial durante a operação que levou às prisões.

Segundo o registro, o homem tentou escapar ao perceber a presença das equipes e resistiu no momento da detenção. Para contê-lo, os policiais precisaram utilizar técnicas  dentro do protocolo de uso diferenciado da força.

Planejamento e prisão

Segundo o boletim, dois irmãos de Rodeiro teriam sido convidados por um terceiro suspeito a participar da ação. Eles foram até uma residência no Córrego do Sapo, em Ubá, usando dois veículos: a Fiorino e um Onix.

A polícia afirma que o homem apontado como intermediador do crime tentou fugir ao perceber a chegada das equipes, escalando o muro da casa onde estava, mas foi contido.

Os suspeitos foram levados ao hospital para atendimento médico e, em seguida, encaminhados à delegacia. Os celulares utilizados por eles foram apreendidos para investigação. Os carros foram removidos para o pátio.

Fuga e veículos incendiados

Durante a fuga, os criminosos incendiaram veículos e espalharam “miguelitos” – nome utilizado para denominar objetos perfurantes usados para furar pneus – nas vias, com o objetivo de dificultar a chegada das equipes policiais.

Posteriormente foi confirmado que a Fiorino e o Onix utilizados na ação foram encontrados incendiados e levados ao pátio.

Além do malote com moedas, a quadrilha também levou um colete à prova de balas utilizado por vigias da agência. O gerente do banco informou que havia cerca de R$ 2 mil em moedas, mas não soube precisar o valor total levado.

O caso segue em investigação, na tentativa de identificar outros possíveis envolvidos no ataque.

Relembre o caso

A explosão ocorreu durante a madrugada de sexta-feira (10), quando uma quadrilha formada por ao menos quatro pessoas atacou uma agência do Banco do Brasil no Centro de Guidoval, município com cerca de 7 mil habitantes localizado a aproximadamente 130 quilômetros de Juiz de Fora.

Na ocasião, os criminosos utilizaram explosivos para acessar a agência, furtaram um malote contendo moedas e efetuaram disparos de arma de fogo.

Durante a fuga, os suspeitos utilizaram uma motocicleta e uma Fiorino e ainda incendiaram veículos para dificultar a perseguição policial. A Fiorino foi abandonada e queimada na zona rural de Rodeiro, enquanto um Ônix foi incendiado na altura do km 712 da MGC-120. Objetos perfurantes também teriam sido espalhados na via.

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).